Os promotores Paulo César Tavares e Antônio Winkert ingressaram anteontem com uma ação pedindo a interdição de Olavo Godoy e a nomeação de um curador para gerir seus bens. O pedido foi baseado no contato que tiveram com o pioneiro, em visita à fazenda Santa Helena no último dia 13, e no relato do médico de família, Claudiney da Silva Souza. O pedido será apreciado pelo juiz da 10ª Vara Cível, Mário Nini Azzolini, que deverá pedir perícia médica e ouvir o Ministério Público.
O promotor Antônio Winkert explicou que o pedido para constituição de um curador deveria ter partido dos próprios familiares, ao constatarem que o agropecuarista não estava em condições de reger sua pessoa ou gerir seus negócios. ‘‘É uma medida de proteção para com a pessoa dele.’’
O fato de Josyê ter uma procuração para administrar os negócios da fazenda perde o valor, segundo o promotor, a partir da nomeação de um curador. ‘‘Se for interditado e nomeado um curador, todos os atos praticados por ela terão que ser revistos. Em tese, a interdição cassa essa procuração’’, disse o promotor.
Winkert disse que o Ministério Público decidiu tomar a iniciativa diante da ‘‘omissão da família’’. Segundo ele, em geral a Justiça nomeia como curador um parente próximo, como filhos, irmãos. Os promotores foram procurados por empregados demitidos da fazenda Santa Helena, que fizeram uma série de acusações de maus-tratos ao pioneiro, inclusive de ser ministrada dose excessiva de medicamentos para mantê-lo dopado.
Olavo Godoy chegou em Londrina na década de 30, ainda adolescente. Ele e o irmão Álvaro Godoy (pai de Álvaro Lázaro Godoy Filho, marido de Josyê Godoy), morto em 79, ganharam notabilidade no Estado devido ao trabalho de preservação do meio ambiente. A área preservada, com 675 hectares de floresta subtropical, foi transformada em Parque Estadual Mata dos Godoy, em 1989. Na floresta existem cerca de 200 espécies diferentes de árvores e muitas de animais.
(Luka Morais)

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