Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O Ministério Público de Assaí (Assaí 36 km a leste de Londrina) abriu ontem um processo administrativo e um criminal contra o delegado Maurílio Avelar por prevaricação. O delegado está sendo acusado de oferecer tratamento diferenciado ao tabelião Cédio César de Mello Junior, preso em flagrante na semana passada por corrupção passiva.
De acordo com o Ministério Público, o delegado estaria permitindo que Mello Junior ficasse fora da cela durante o dia, usasse o banheiro destinado aos funcionários da delegacia, recebesse visitas fora dos horários permitidos e fizesse as refeições em local separado dos demais presos. Mello Junior não tem curso superior.
A denúncia de que o delegado estava oferecendo tratamento diferenciado ao tabelião foi feita pelos 13 presos da delegacia ao Ministério Público, durante visita de rotina na carceragem. Os presos estariam revoltados com as regalias que o tabelião estaria recebendo por parte da polícia. A juíza corregedora Sonia Leifa Iefuzinato foi chamada e flagrou Mello Junior fora da cela e recebendo visitas em horários proibidos.
A Folha apurou que Mello Junior e o delegado Avelar são amigos e os dois fazem parte do Lions Clube de Assaí. Ontem, o delegado disse à Folha, que até aquele momento, por volta das 16 horas, não havia recebido nenhum comunicado oficial sobre a abertura do procedimento administrativo contra ele. Avelar também afirmou que só daria sua versão para o caso durante o processo. O delegado confirmou que é amigo de Mello Junior e que oferece tratamento diferenciado ao preso. ‘‘Estou fazendo isso porque ele está com problemas de saúde’’, justificou.
Segundo o Ministério Público, logo após a prisão, o advogado de Mello Junior, Mauro Viotto, entrou com pedido na Justiça para que o tabelião ficasse em cela especial por estar com problemas de saúde e ter se submetido recentemente a uma cirurgia. Na época, a juíza corregedora determinou que o tabelião passasse por uma perícia médica, que ele se recusou a fazer.
Mello Junior foi preso no dia 11 juntamente com o ex-chefe da Agência de Rendas de Assaí, John Menon. Ambos foram flagrados ao receber propina para subavaliar imóveis em processo de inventário. No início dessa semana, Menon foi solto, mas o pedido de soltura de Mello Junior foi indeferido pela Justiça por ele ter antecedentes criminais. Contra o tabelião, existem cinco processos e um inquérito policial por falsificação de documentos e firmas. O Ministério Público descartou qualquer hipótese de o delegado Avelar estar envolvido no caso de corrupção.

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