Promotoria põe fim à atuação dos flanelinhas
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sábado, 09 de agosto de 1997
Célia Baroni 
Londrina
Mário CésarHora do almoçoDurante a semana, meninos que participam da Liga dos Engraxates comem no salão da Catedral de LondrinaA Liga dos Engraxates não tem mais o projeto Vagalume, que mantinha crianças e adolescentes na rua atuando como flanelinhas. Ele foi extinto a pedido da Promotoria da Infância e Juventude, como parte do programa de abordagem de meninos e meninas que estão nas ruas da cidade mendigando ou vendendo produtos.
Mesmo com o acompanhamento da Liga, a situação é irregular e as crianças estão em situação de risco, enfatiza a promotora Solange Vicentin.
Ao todo, 60 meninos eram atendidos pelo projeto, que garantia o acompanhamento escolar e da família. Os vagalumes trabalhavam durante o dia, em quatro pontos da cidade: em frente ao Banestado; ao Sinézio Magazine; à antiga Regente e em frente ao hospital Evangélico.
O fim do projeto, garante a promotora, foi amplamente discutido com a Liga, os pais das crianças atendidas e os meninos. As reuniões vêm acontecendo há cerca de dois meses e estabeleceu-se como prazo definitivo para o fim do projeto o início do mês de agosto.
Há um mês, prefeitura e Ministério Público começaram o trabalho de colocar os menores atendidos pelo projeto em outros programas.
Solange Vicentin explica que alguns se tornaram engraxates, sendo absorvidos pela própria Liga e outros serão incluídos em programas como a Zona Azul da Epesmel e a Guarda Mirim. Nestes projetos eles vão ter inclusive a oportunidade de trabalhar com registro em carteira, afirma. Estes programas, no entanto, só poderão servir de alternativa para os meninos com mais de 14 anos. O Estatuto do Menor e do Adolescente não permite o trabalho de crianças com idade inferior a 14 anos e os menores estão sendo colocados em programas profissionalizantes. O encaminhamento está sendo feito pela Secretaria de Ação Social e Conselho Tutelar.
O trabalho de convencimento, porém, não funcionou com todos os meninos. Solange Vicentin confirma a existência de casos resistentes. Muitos pais não têm comparecido às reuniões de orientação. Tentamos explicar que o risco da rua não compensa o ganho final, mostrando que integrar outro programa é um investimento para garantir o futuro. Mas alguns são mais difíceis de convencer, argumenta. O dinheiro conseguido como flanelinha (bem mais que o salário mínimo) funciona como um forte atrativo e é o principal obstáculo enfrentado pela equipe que está acompanhando estes menores.
Alguns pais já procuraram a secretaria de Ação Social, reclamando do fim do projeto vagalume. Argumentando que precisam do apoio financeiro que a criança dava. As assistentes sociais da prefeitura estão acompanhando caso a caso e levantando a real situação de cada família. Constatada a situação de carência, cada uma será encaminhada para programas alternativos.
A maioria dos meninos que integravam a Liga, segundo informação da Secretaria, não precisaria trabalhar na rua. O dinheiro conseguido no projeto Vagalume era, na maior parte, destinado ao consumo de artigos pessoais (tênis, boné, som, etc).


