de Curitiba

Arquivo FolhaMilitão, advogado da família Zanella: flagrante teria sido forjadoA Promotoria de Investigações Criminais do Ministério Público estuda a possibilidade de reconstituir a operação policial que resultou na morte do estudante Rafael Rodrigo Zanella, 20 anos, quarta-feira passada, em Curitiba. ‘‘Se for necessária, a reconstituição vai ser feita. Mas ainda é preciso esperar o laudo do Instituto de Criminalística’’, revela o promotor Edvaldo José de Lima, designado para investigar o caso com mais cinco colegas.
Os exames de balística estão sendo feitos nas armas dos agentes Reinaldo Siduaski e Airton Adonski. Eles lideraram a ação anti-tráfico e foram temporariamente afastados de suas funções no 12º Distrito Policial. A análise inclui um revólver calibre 32 com dois cartuchos intactos e uma cápsula deflagrada que estavam no interior do Escort dirigido por Zanella antes de tomar o tiro na cabeça. A perícia se estende ao local da morte, a Rua João Reffo, em Santa Felicidade.
O perito responsável pelo laudo, Vitório Librelon, confirmou ontem para os promotores Edvaldo José de Lima e Vani Antônio Bueno que a cena da morte de Zanella teria sido manipulada. Librelon havia afirmado à imprensa que não encontrou a arma supostamente usada por Zanella junto ao corpo dele, onde deveria estar. Ele também suspeita que o estudante morreu quando seus colegas já estariam rendidos, pois a massa encefálica detonada pelo tiro caiu sobre o banco vazio.
Segundo Lima, a conversa com o perito foi ‘‘informal’’. Para ele, o que vale é o laudo. Antes disso, garante o promotor, qualquer opinião sobre o rumo das investigações seriam prematuras. Lima pretende reunir todos os dados a respeito da morte de Zanella até a próxima segunda-feira. O delegado Maurício Fowler, do 12º DP, esteve ontem na Corregedoria Geral da Polícia Civil, onde entregou um relatório sobre a operação. Ninguém do órgão quis informar o teor do documento.
A família de Rafael Zanella, que estudava Biologia na Faculdade Espírita de Curitiba, promete entrar na Justiça contra o governo do Estado para pedir uma indenização. Contratado pelos pais do estudante, o advogado Júlio Militão ainda não divulgou o valor pecuniário a ser exigido como compensação pela morte do rapaz. De acordo com ele, o flagrante foi forjado porque duas jovens teriam sido usadas como ‘‘iscas’’’para prender os supostos traficantes - os policiais teriam apreendido 500 gramas de maconha na operação.
O advogado acredita que as declarações do perito Vitório Librelon reforçam a tese de que a a polícia cometeu uma série de erros nesse caso. Ele conta que entrou com pedido de habeas corpus de Marcos Valduga, um dos rapazes que acompanhavam Zanella. Wilson Gevaerd Júnior, o Camarão, e Odair Ferreira da Silva, também continuam presos por tráfico de drogas. Nenhum deles tinha antecedentes criminais. Não há pistas do Gol visto pelos policiais durante a operação.

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