Promotoria pede quebra de sigilo bancário de ex-diretores da AMA
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Telma Elorza 
O promotor de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galatti, pediu ontem a quebra de sigilo bancário dos ex-diretores da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) de Londrina, Mauro Maggi, Nelson Kohatsu e Julio Bittencourt. Ele pretende, desta forma, rastrear sete cheques do Banestado, com valores entre R$ 56 mil e R$ 129 mil, que foram repasassados pela autarquia à empresa Tâmara Serviços Técnicos S/C Ltda. como pagamentos de serviços no ano de 1998. A medida, segundo o promotor, servirá para definir quem está envolvido no esquema de superfaturamento nos serviços de capina e roçagem contratados pela autarquia.
Os ex-diretores foram ouvidos ontem pela manhã pelo promotor. No entanto, os acusados se mantiveram calados, com base em direito constitucional, de permanecer em silêncio até ser ouvidos em juízo. As audiências foram acompanhadas pelo advogado Izaías Arcolezi, de Maringá, que está defendendo os ex-diretores, e pelo promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC).
Josoé de CarvalhoConfiançaO ex-diretor-financeiro Nelson Kohatsu: A verdade vai aparecerO ex-diretor Bittencourt disse que a decisão de antecipar o depoimento surgiu da necessidade de estabelecer a verdade. Nossos nomes têm sido usados indevidamente de uma forma que parece que já fomos julgados, só faltando a sentença. Por isto, resolvemos acabar logo com isto, afirmou.
Bittencourt alegou não ter conhecimento da fita entregue pelo então chefe da gerência de capina e roçagem da AMA, Délcio Garcia Martins. A fita, resultante de grampo no telefone de Martins, contêm conversas do ex-presidente e os ex-diretores da autarquia e sugerem falsificações de planilhas e adulteração de valores de notas fiscais referentes ao pagamento de serviços de roçagem e capina. E garantiu que os ex-diretores não fizeram qualquer alteração em planilhas, já que nem manuseamos estas planilhas pois tínhamos funcionários encarregados deste setor.
Nelson Kohatsu saiu tranquilo da audiência A verdade vai aparecer e a Justiça vai prevalecer, afirmou. Para ele, a fita apresentada não significa nada. Aquilo foi um ato criminoso e desonesto. Acreditamos que é uma montagem.
Já Maggi se limitou a dizer que tudo o que teria a declarar sobre o assunto estaria em um dossiê que entregou ao promotor Cláudio Esteves, com cópias que distribuiu àimprensa. Eu me reservo o direito de só me manifestar em juízo. No dossiê, Maggi acusa Délcio Martins - um dos denunciantes do esquema de superfaturamento -, de falsificação de documentos e locupletação ilícita com dinheiro público. Ele alega, em um trecho do dossiê, que Martins descobriu que estava sob investigação e que arquitetou um plano que iniciou com a denúncia endereçada à promotoria, na certeza que essa medida, além de desviar a atenção da presidência, estancaria e comprometeria o andamento das investigações.
Em outro trecho, Maggi afirma que sabia das fitas antes da sua divulgação pela imprensa: Só não impedi a divulgação das mesmas (fitas) porque não aceitei a proposta de Délcio, formulada no sentido de trocar as fitas pela paralisação das investigações da AMA, que ainda estava sob sigilo, e em troca de um documento desobrigando-o de toda a responsabilidade civil e criminal.
Maggi condena o comportamento do promotor Bruno Galatti no caso, por não observar o sigilo e o segredo de Justiça, e diz que as informações que estão sendo divulgadas têm causado constrangimento a ele e à sua família. Não sou bandido e nem criminoso. E até o momento desconheço as provas que o promotor obteve, como as conseguiu e qual o real valor das mesmas.
Ainda no dossiê, o ex-presidente da AMA autoriza o promotor a requerer a quebra de seu sigilo bancário e ainda enviar ofício à Receita Federal, solicitando cópias de suas declarações de renda.


