Promotoria pede prisão de empresário
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Ministério Público (MP) de Cascavel pediu ontem a prisão preventiva de Sidney Alves, conhecido empresário do ramo de autopeças e também piloto da Fórmula Truck, categoria nacional de automobilismo. A informação foi dada à Folha pela promotora Cláudia Biazus que, juntamente com outros dois integrantes do MP, investiga denúncia anônima sobre o caso de uma carreta roubada que teria sido apreendida por policiais civis e a seguir, vendida. A denúncia envolve o delegado Manoel Angelo Pelisson. Uma carreta com as mesmas características (tipo, ano, cor) foi encontrada em um barracão de propriedade de Sidney Alves.
Manoel Pelisson, delegado operacional da 15ª Subdivisão Policial (SDP), já foi ouvido pelos promotores e nega a denúncia. Ele diz que a carreta havia sido encontrada abandonada nas imediações de um posto de gasolina na periferia da cidade, sem registro de roubo, e foi entregue ao advogado representante do proprietário. Sidney Alves, que também declarou inocência, não foi localizado na cidade, segundo a promotora.
Na semana passada, policiais civis apreenderam uma caminhonete S-10, uma F-100 e um Gol roubados e, no mesmo local, segundo a versão da Polícia, uma carreta Scania, ano 95, da qual não haveria registro de roubo. Ela teria sido abandonada pelo motorista, por motivo desconhecido. O advogado Iné da Silva, de Pato Branco (Sudoeste do Estado), procurou o delegado Pelisson exigindo a liberação da carreta, o que teria ocorrido. Na sequência, a Polícia Militar recebeu informação de que a carreta havia sido roubada em Santo André (SP), no final de março, e estava em Cascavel para desmanche na empresa de Sidney Alves.
Ao mesmo tempo, o MP recebia uma carta anônima, acompanhada de transcrição do número do chassi da carreta e de fotos mostrando-a estacionada ao lado da 15ª SDP. Os promotores acompanharam policiais civis e militares em inspeção na empresa de Alves e encontraram uma carreta com as mesmas características, mas com chassi adulterado e pequenas outras modificações.
No local havia mais 15 caminhões e peças. Policiais militares passaram a manter vigilância em torno do barracão que, ontem, foi interditado por ordem judicial. Sábado, a PM localizou em Terra Roxa (132 km a oeste de Cascavel) mais uma carreta com características idênticas, no estacionamento de uma firma de terraplenagem. A numeração das placas e do chassi de pelo menos uma das carretas é falsa (seria o chamado dublê) mas o MP não descarta a hipótese de que as demais também sejam.
Peritos de Cascavel ouvidos pelo MP, disseram que o delegado Pelisson não solicitou perícia no caminhão abandonado e que, quando algum carro é recuperado pela Polícia, fica no estacionamento interno da 15ª SDP e não nas imediações. Como eles são testemunhas, os promotores pediram peritos de fora para conferir placas e chassis das duas carretas que permanecem no pátio do 6º Batalhão de Polícia Militar (BPM).
O advogado Iné da Silva disse ontem saber apenas que o proprietário da carreta devolvida pelo delegado chama-se Claudemir Pessoa, mas não tem maiores informações. Prestei meu serviço e encerrou o contato, alegou.
O empresário Sidney Alves, que afirmou ao MP ter deixado o ramo de desmanche de carros há algum tempo e só atuar com autopeças, relatou também que a carreta encontrada em seu estabelecimento havia sido deixada dias antes para serviços no motor por um cliente de Terra Roxa, Antonio Donisete Casagrande, dono de uma firma de terraplenagem.
Ouvido pelos promotores, Casagrande disse lembrar ter deixado o caminhão (juntamente com os documentos) para reparos uma vez, há muito tempo atrás. Os promotores investigam a possibilidade de que os documentos tenham sido fotocopiados e depois reproduzidos para uso em carros dublês.





