Promotoria pede informações sobre corte de árvores
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Maurício Borges De Apucarana 
O Ministério Público, através da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente de Apucarana, anunciou ontem que irá pedir esclarecimentos à Secretaria Municipal de Serviços Públicos, sobre o corte de seis árvores, realizado por operários da prefeitura na quinta-feira passada. Os ligustres, de origem japonesa, tinham mais de 40 anos e estavam plantados na Rua Miguel Simeão, em frente ao prédio da promotoria.
O promotor Eduardo Nagib Matni disse à Folha que tinha conhecimento do pedido de corte de uma árvore, que vinha sendo feito de forma insistente pelo escritório da Unimed (vizinho ao seu). Não houve um comunicado prévio à promotoria e nem sabíamos que seriam cortadas seis árvores desta quadra, comentou Matni.
Segundo o diretor de paisagismo da Secretaria de Serviços Públicos, o agrônomo Luis Carlos Teixeira Kemper, as raízes desta árvores arrebentaram com a calçada, dificultando até o trânsito de pedestres. Tínhamos pedidos de corte solitados pela Unimed, Banco HSBC e escritório de advocacia do Dr. Ari Costa, revelou ele, acrescentando que, neste caso, o corte era realmente necessário.
O agrônomo explicou que o ligustre é totalmente inadequado para arborização urbana e, ao invés de servir, desagrada a comunidade. Porém, ele alertou que os cortes apenas são autorizados após uma criteriosa vistoria e registro de cada árvore. Vamos retirar as raízes, consertar as calçadas e plantar árvores apropriadas, revelou Teixeira.
A engenheira florestal Raquel Fila Vicente, do escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (Londrina), explicou ontem que o município tem autonomia para substituir as árvores que achar conveniente. O IAP não se opõe a isso se existe uma justificativa convincente, esclareceu.
Ela lembrou que o IAP já esteve recentemente em Apucarana, a pedido da promotoria, para averiguar o tipo de poda que estava sendo usado pela prefeitura e também o corte de algumas árvores. Na Rua Clotário Portugal constatamos que foram realizadas podas erradas, consideradas drásticas, relatou a engenheira florestal.
E quanto aos ligustres derrubados agora, Raquel Fila Vicente informou que conhecia a situação. Algumas árvores estavam mesmo comprometidas na base e representavam risco para as pessoas, avaliou.
A engenheira alertou para a necessidade de a prefeitura agir com rigoroso critério e prestar esclarecimentos sobre este tipo de serviço. Se não for assim, corre-se o risco de acabar provocando um corte generalizado de árvores pela própria comunidade, alertou.


