Promotoria ouve empresas de Curitiba
Lúcio Horta
De Londrina
O promotor Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, passou toda a última semana em Curitiba ouvindo responsáveis por empresas que teriam participado de licitações supostamente fraudulentas na Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e Companhia Municipal de Urbanização (Comurb). No total, foram tomados doze depoimentos, todos por meio de carta precatória e realizados na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público da capital.
O objetivo do trabalho, segundo o promotor, que foi designado para cumprir os precatórios, era questionar qual a participação de cada empresa nas licitações em Londrina. Ele não quis comentar, no entanto, o conteúdo dos depoimentos.
Além de ouvir os responsáveis, o Ministério Público solicitou a cópia dos trabalhos realizados pelas empresas de Curitiba para AMA e Comurb. Na maioria dos processos apreendidos pela promotoria, junto aos órgãos públicos de Londrina, estes trabalhos não foram encontrados. A promotoria ainda requisitou ao Instituto de Criminalística de Curitiba a realização de perícia para conferir se os endereços das empresas apresentados nos contratos existem de fato.
Entre as empresas ouvidas em Curitiba figuram nomes já citados em matérias divulgadas na imprensa, como a Esteio Engenharia, Veneto, Ecodata, Iassin e Ivano Abdu (estas duas últimas que seriam de um mesmo dono, Ivano Abdu), todas vencedoras de licitações em Londrina. Além delas, também surgiram novos nomes, como os da A.G.E, de Santa Catarina, Compresarial e Sul Obras.
Uma das pessoas ouvidas foi o engenheiro Arion Cruz Santos, o Kiko, representante da Esteio. Ele é irmão de Amauri Cruz Santos, proprietário da Compresarial, que também depôs na promotoria. Na única licitação que venceu, na Comurb, a Compresarial concorreu com a própria Esteio e com a A.G.E. (que, coincidentemente, teria um sócio comum à Esteio). A criminalística de Curitiba verificou que a Compresarial funciona no mesmo endereço de um escritório de contabilidade.
Ainda seriam ouvidos em Curitiba representantes de outras empresas, entre elas a NT & C Consultoria e Construção Ltda.; Solum; Nova Forma Engenharia e Construção Ltda.; e Kesikowski Engenharia e Construções Civis Ltda. Estas duas últimas teriam do mesmo dono, Luiz José de Oliveira Kesikowski, funcionariam no mesmo endereço e receberam, somente em maio deste ano, R$ 1,3 milhões com licitações. Mas os responsáveis não puderam ser ouvidos não foram encontrados ou estavam viajando, entre outros motivos e os depoimentos terão que ser tomados posteriormente.
Esteves comentou apenas o depoimento do jardineiro Osório Benato Miola, apontado como proprietário das empresas Veneto, Venelux e Da Ros. As empresas teriam sido repassadas para o nome dele por um empresário curitibano e usadas, sem consentimento de Miola, para participar de licitações fraudulentas na AMA e na Comurb. Só a Veneto recebeu cerca de R$ 2 milhões com as licitações.
O jardineiro declarou ao Ministério Público que as três empresas, embora existam oficialmente, não estão mais em atividade há três anos. Portanto, não poderiam participar das licitações. Ele (Miola) afirmou, dentro de sua simplicidade, que não assinou qualquer documento e que não sabe como seu nome foi usado. Disse ainda que teve vontade de vir a Londrina, esclarecer a situação, mas sequer tinha dinheiro para a passagem, disse o promotor. Me parece claro que o nome dessas empresas foi usado, completou.





