Entre a tarde de quinta-feira e a manhã de ontem o promotor Marco Aurélio Romangnoli Tavares, de Laranjeiras do Sul, ouviu mais 12 pessoas sobre a suspeita de comercialização irregular da madeira apreendida pelo Instituto Ambiental (IAP) do Paraná em Rio Bonito do Iguaçu (a 125 km a oeste de Guarapuava). O promotor descobriu indícios de crimes de peculato, corrupção e até desmanche de carros.
Segundo o promotor, os depoimentos trouxeram detalhes não só da operação de legalização da madeira apreendida e doada para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Rio Bonito, com o pagamento de propina a fiscais e policiais, mas também de outros crimes. ''Havia formação de quadrilha também para a prática de crimes como peculato, corrupção e desmanche de carros'', adiantou.
De acordo com as denúncias recebidas pelo Ministério Público, a madeira que era comercializada irregularmente teria sido apreendida nos assentamentos Ireno Alves, Marcos Freire e, principalmente, Quarta Conquista, uma área ocupada por trabalhadores rurais sem terra ainda não assentados.
Ontem, os advogados de defesa do chefe regional do IAP, Celso Alves de Araújo, que está com a prisão decretada acusado de participar o esquema, protocolaram pedido de revogação de sua prisão preventiva. Em entrevista à Folha, por telefone, Araújo disse que não pode responder pelo destino dado para madeira doada e que nunca esteve em Rio Bonito desviando cargas ou recebendo propina.
A investigação provocou a prisão de cinco pessoas, na quarta-feira, entre elas do fiscal do IAP, André Barbosa Cordeiro; do presidente da Apae, Danilo Barbieri; do assistente de segurança, Aparecido Alves Bezerra; do madeireiro Silvano Edemar Budeski, e do motorista da serraria, Airton Bogado

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