Promotoria não quer réveillon no parque
Emerson Cervi
De Curitiba
Fauna, flora e vizinhos do parque Barigui ganharam um novo aliado contra a realização da megafesta de réveillon pretendida pela prefeitura para aquele local. O promotor de justiça Sérgio Luiz Cordoni, da promotoria de proteção ao meio ambiente, divulgou ontem a recomendação 05/99, em que pede ao prefeito Cassio Taniguchi (PFL) a transferência do réveillon do Barigui para outro local. O promotor solicita a não realização da referida festa do Parque, sob pena de serem adotadas medidas judiciais cabíveis.
A recomendação foi motivada por um pedido de informações apresentado pela Associação dos Moradores e Amigos do Parque Barigui (Amaparque), que é contra a realização da festa na unidade de conservação ambiental. A assessoria do prefeito não deu nenhuma informação sobre o assunto. Segundo assessores, a prefeitura não recebeu nenhuma informação oficial do Ministério Público.
O réveillon no Barigui foi anunciado no início de novembro pelo próprio prefeito. A festa, que deve custar R$ 500 mil, prevê um show pirotécnico de 20 minutos na noite de 31 de dezembro, apresentação de 35 bandas em um palco montado próximo ao lago do parque e a participação de até 100 mil pessoas. O parque Barigui não é o local apropriado nem tem a infra-estrutura mínima para uma festa de réveillon, disse Angela Macedônio, vice-preside da Amaparque.
Várias entidades esperavam o pronunciamento do Ministério Público para entrar com uma ação civil pública pedindo a suspensão da festa, o que pode acontecer nos próximos dias. Um laudo técnico da Sociedade de Pesquisas em Vida Selvagem (SPVS) aponta para riscos de danos que possam ser causados a animais silvestres do local. O diretor executivo da SPVS, Clóvis Ricardo Schrappe Borges, informa que já foram observadas aves de espécies ameaçadas de extinção no parque Barigui e que a voluptuosidade da festa poderá representar riscos à fauma e flora existentes no local.
Antes de emitir seu parecer, o promotor de justiça também recebeu pareceres do Instituto Brasieliro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Segundo Mario Sérgio Rasera, presidente em exercício do IAP, para a realização desse evento público não é o caso de licenciamento ambiental, razão pela qual fica prejudicado o embargo solicitado. De acordo com a procuradora chefe do Ibama no Paraná, Andréa Vulcanis Macedo de Paiva, ante a ausência de prova técnica de risco de perecimento de animais, não vemos como o Ibama possa intervir na questão.Recomendação da Promotoria do Meio Ambiente é para a não realização da festa. Prefeitura não recebeu informação oficial
Arquivo FolhaBARIGÜIA grandiosa festa programada pela prefeitura para o Réveiloon 2000 vai consumir R$ 500 mil e provoca polêmica com ambientalistas





