Paulo Pegoraro
De Cascavel
Um projeto ambiental que prevê também ações sócio-econômicas em comunidades de baixa renda em cinco municípios do Oeste paranaense, e que conta com recursos internacionais, está sendo investigado pelo Ministério Público (MP) federal com a suspeita de desvio de dinheiro. O projeto denominado ‘‘Recuperação e Uso Sustentável de Bacias Hidrográficas junto a Comunidades Rurais de Baixa Renda’’ refere-se à faixa do Rio Andrada, entre o Parque Nacional do Iguaçu e o Rio Iguaçu, onde lança suas águas, e envolve e um dos mais importantes ecossistemas do Paraná.
Com recursos do Banco Mundial, o projeto faz parte do Programa Nacional do Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal, e há contrapartida de estados e municípios que entram com técnicos e infra-estrutura para sua execução. No caso do Paraná, em cinco regiões deveriam ser investidos R$ 3,76 milhões, sendo inicialmente R$ 800 mil na faixa do Rio Andrada, onde o projeto foi iniciado há quatro anos, com participação dos municípios de Cascavel, Santa Tereza do Oeste, Lindoeste, Santa Lúcia e Boa Vista da Aparecida.
O gerenciamento ficou com o Município de Cascavel, atuando como o ‘‘caixa’’ de liberação de recursos e prestação de contas. Entre outras ações, estava prevista a recuperação do ecossistema com a reintrodução de espécies vegetais nas margens degradadas do rio, e de espécies animais, principalmente a capivara, para alimentação familiar e comercial, pois uma das propostas é melhorar a renda das comunidades de pequenos agricultores. Nos últimos dias, constatações de que o projeto está ‘‘parado’’ motivaram a busca de informações pelo vereador Aderbal de Mello (PT), de Cascavel.
O vereador disse ontem haver comprovações de que foram utilizadas notas fiscais de uma empresa ‘‘fantasma’’ em pagamento a serviços de cerca de R$ 2,8 mil, que teriam sido prestados na implantação de cerca em cativeiro para receber capivaras, em criatório em Santa Tereza do Oeste. O dinheiro, liberado via Prefeitura de Cascavel, foi depositado em contas de terceiros, inclusive na da esposa de um ex-secretário municipal de Santa Tereza do Oeste. Em passagens de avião e ônibus há gastos de mais de R$ 25 mil, supostamente para técnicos.
As informações foram levadas ao Ministério Público federal, que já encaminhou pedidos de esclarecimentos ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, e às prefeituras da região. Segundo Aderbal de Mello, até agora ‘‘há uma caixa-preta envolvendo o projeto’’, pois não há documentos disponíveis para investigar as irregularidades. Em Cascavel, estão desocupadas construções feitas há dois anos no Parque Ecológico para a sede administrativa do projeto e um banco de germoplasma para reposição florestal prevista. Também já foram utilizados recursos para a compra de caminhonetes, sem que se saiba de sua utilização.

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