Promotoria investiga patrimônio e contas
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de janeiro de 1999
Paulo Pegoraro 
O Ministério Público (MP) em Cascavel está rastreando bens móveis e imóveis e contas bancárias de Ivan Serafim Borges, sua mulher Edinéia Sicbneihler, e outras pessoas que com eles mantêm relacionamento, para apurar a origem de patrimônios e depósitos bancários. A investigação, coordenada por promotores estaduais e pela Procuradoria da República, desdobra processo em curso na Comarca de Cascavel, originado com a prisão de Borges, no dia 9 deste mês, pela Polícia Militar (PM), cumprindo mandado judicial. Borges foi denunciado pelos promotores sob a acusação de exercer atividades exclusivas de policiais.
Os promotores denunciaram também três delegados e três investigadores da Polícia Civil (PC), que, segundo o MP, de formas diversas teriam sido coniventes com a usurpação de função. Os promotores Eduardo Monteiro e Guilherme Teixeira solicitaram ao juiz Rosaldo Pacagnan, que atua no processo, a requisição ao Detran de relação de carros em nome de Ivan Borges e sua mulher, e a uma imobiliária informações sobre uma casa adquirida recentemente por Edinéia Sicbneihler. Da Telepar, os promotores querem cópias de faturas telefônicas em nome de Edinéia, dos últimos seis meses, e relação de aparelhos em nome de todos os denunciados.
Os promotores rastreiam bens e ligações interpessoais de Borges e sua mulher em questões da competência do MP estadual. As de competência federal são rastreadas pelo procurador da República, Celso Antônio Três. Ele pedirá quebra do sigilo bancário de várias pessoas, assim que vencer o prazo para apresentação de declarações de renda. O procurador relata que Borges não apresenta declaração há cinco anos. Segundo Três, na casa de Borges, além de um carro, arma e colete da PC, foram encontrados cheques emitidos por várias pessoas e uma lista com nomes e valores, supostamente de pagamentos.
Na casa de Borges também foram encontradas várias capas de chuva que teriam sido tomadas em assalto a um contêiner de uma transportadora de Foz do Iguaçu, no final do ano passado, na BR-277. As capas, e outras mercadorias levadas pelos assaltantes, deveriam ser entregues em Ciudad del Este, no Paraguai. Paulo Paim, dono da transportadora Transpaim reconheceu o material encontrado com Borges como sendo o que estava no contêiner.


