A Promotoria de Defesa da Saúde Pública abriu procedimento para investigar suposta negligência no atendimento de uma gestante que teve complicações depois que funcionários da Maternidade Municipal recusaram-se a encaminhá-la para uma cesárea. O parto foi normal e com uso de fórceps. A criança corre risco de ficar com sequelas neurológicas. Este já é o segundo caso semelhante denunciado ao Ministério Público.
A criança passou 15 dias na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico e está tomando medicamentos para controle de convulsões. Para a família, houve negligência da equipe médica.
Gustavo nasceu no dia 11 de janeiro. A mãe, Gisely Alcântara Rosa, 19 anos, havia procurado a maternidade dois dias antes. Atendida por residentes, foi encaminhada de volta para casa, apesar das dores das contrações.
Em nenhum momento, os profissionais teriam cogitado a hipótese de submetê-la à cesárea - apesar dos pedidos dos familiares. Mesmo após a bolsa ter estourado, por volta das 5h30, o parto só foi feito mais de 12 horas depois.
Gisely e o marido Felipe Brunelli Rosa, 22, relatam que a situação só foi resolvida com a entrada de um novo médico, após a troca de turno. ''Ele avaliou que, como a criança tinha descido, naquele momento a cesariana seria um grande risco para a mãe e para a criança. Por isso, fez o parto normal a fórceps'', conta Felipe.
As complicações não terminaram com o nascimento de Gustavo. Os médicos submeteram o recém-nascido a aspiração de traquéia e pulmões, que estariam com mecônio (primeiras fezes eliminadas pelos recém-nascidos). Gustavo ficou 15 dias na UTI, onde recuperou-se ainda de um quadro de pneumonia.
A mãe acredita que a realização da cesárea poderia ter evitado isso. ''Sofri demais na espera do parto'', diz Gisely. Ela acredita que a realização da cesárea poderia ter evitado isso. ''O Gustavo também não teria sofrido tanto e nem corrido tanto risco de ficar com sequelas''.
A investigação está por conta do promotor Paulo Tavares. Ele explicou que a apuração de suposta culpa é independente da confirmação ou não das sequelas que a criança poderá apresentar. ''É certo que a maioria dos partos deve ser normal, o que é preconizado mundialmente. Mas vamos apurar se nesse caso a cesárea já era indicada no primeiro momento'', promete.
O diretor-clínico da Maternidade Municipal, Evaldir Bordin Filho, disse que não há justificativa para que a família entre na Justiça porque o bebê ''está bem de saúde.'' ''Se ocorresse algo mais grave, nós abriríamos sindicância, encaminharíamos o caso para a comissão de ética do hospital e para o Conselho Regional de Medicina'', afirma. Ele acrescentou que a maternidade vai prestar todas as informações solicitadas pelo Ministério Público.

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