Promotoria interdita matadouro
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
Lúcio Flávio Moura Enviado a Arapongas 
Moacir Garcia Duarte, 47 anos, arrendatário do matadouro Elavogirf, localizado na margem da PR-444, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), pode responder inquérito por ter vendido no atacado carne bovina e suína sem inspeção, conforme conteúdo do laudo que deve ser entregue ao Ministério Público (MP) pela da Vigilância Sanitária, órgão que interditou o estabelecimento na madrugada do último dia 10.
Foi a segunda interdição em matadouros da região este mês. O primeiro a ser fechado foi o Matadouro Municipal de Sabaudia, que também não respeitava normas técnicas de inspeção e higiene.
Segundo a promotora Leila Schimiti Voltarelli, que autorizou a interdição, o laudo deve comprovar pelo menos oito irregularidades no estabelecimento, já observadas através da gravação de um vídeo no momento do flagrante. No local, eram abatidos 110 bois e 650 porcos por mês, volume que abastecia mais da metade da demanda dos açougues da cidade.
As irregularidades podem custar a Duarte uma multa ou até cinco anos de cadeia, conforme prevê a lei 8137/90 que regulamenta as infrações relacionadas ao Código de Defesa do Consumidor. A promotora também solicitou à VS que aumente o rigor na fiscalização dos açougues da cidade.
Duarte disse que arrendou o matadouro em abril de 1999. Segundo ele, o matadouro operou, durante muito tempo, em condições bem piores e não foi importunado por ninguém. Cerca de R$ 10 mil teriam sido investidos pelo arrendatário, que amargou cerca de R$ 8 mil de prejuízo com o recolhimento de 51 porcos e quatro bois abatidos. Ele acredita que até o final do mês, o matadouro volte a funcionar. Fiz tudo o que pediram, afirma. Hoje, o matadouro deve ser visitado novamente pelos técnicos da VS.
O chefe do setor de Vigilância Sanitária da 16ª Regional de Saúde de Apucarana, José Schiarolli, explicou ontem que o órgão somente interviu no caso, atendendo solicitação do Ministério Público. Conforme revelou o técnico, a Vigilância Sanitária do Município considerou normais as condições do matadouro, enquanto que a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) relacionou 30 itens de irregularidades que precisavam ser reparadas. Apenas 8 itens foram sanados e, a partir daí, o Ministério Público requereu a intervenção da Regional de Saúde, informou. (Colaborou Maurício Borges, de Apucarana)


