Fotos: Jonas OliveiraPrecariedadeA Vila Bela Vista e a Vila São José do Passaúna são ocupações sujeitas a frequentes enchentes, em local de água contaminada, com risco de desabamentos. Não há rede de esgoto e o abastecimento de água é precárioA Prefeitura de Curitiba está sendo pressionada pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente a retirar 600 famílias que vivem em uma ocupação no Parque do Passaúna. As famílias da vila Bela Vista despejam esgoto diretamente no reservatório, que abastece de água parte de Curitiba e Araucária. Em uma outra área, na vila São José do Passaúna, 500 famílias devem permanecer no local porque a invasão aconteceu antes da criação do parque. A ocupação está sujeita a frequentes enchentes, em local de água contaminada, com risco de desabamentos.
A Área de Preservação Ambiental (APA) do Parque Passaúna tem pelo menos 4.000 pessoas vivendo em condições precárias e despejando o esgoto no reservatório. As crianças são vítimas de micoses e outras doenças, pois em dias de calor costumam brincar na água das valetas que cortam a área. O Ministério Público tem insistido na relocação de todas as famílias da vila Bela Vista. Parte do esgoto vai para o Rio Barigui e o restante para o Lago do Passaúna.
PermaneceAmarílis Cândido trocou a casa em que vivia por outra na mesma área, só que num terreno mais alto, por causa das enchentes. ‘‘Meus netos viviam com feridas nas pernas. Depois que me mudei, eles melhoraram’’, diz
Segundo o coordenador de Habitação do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), Marco Aurélio Becker, seriam necessários pelo menos R$ 3 milhões para tirar as famílias de lá e assentá-las em outra área. A prefeitura está tentando viabilizar esses recursos junto à Caixa Econômica Federal, mas há a questão da prioridade na destinação do dinheiro para quem está na fila da Cohab. ‘‘É uma questão delicada e precisamos buscar uma solução a médio prazo’’, diz. Uma das propostas era relocar apenas as famílias que despejam esgoto no Passaúna, mas a Promotoria do Meio Ambiente não concordou.
Os moradores da ocupação Bela Vista estão no local há aproximadamente cinco anos. Durante quase todo esse período ficaram sem água encanada, luz e esgoto. Desde o princípio da invasão foram informados de que não poderiam ser assentados regularmente naquele local e por isso os serviços públicos foram atrasados. Por decisão judicial, eles conseguiram abastecimento de água. A comunidade continua sem energia elétrica.
A vila São José do Passaúna é mais antiga. Alguns moradores estão no local há 14 anos e também já sofreram com falta de água e luz. O esgoto ainda é despejado numa área de fundo de vale e escoa para o reservatório, onde as crianças se refrescam em dias de calor. A maioria das 500 famílias vai conseguir regularizar a posse dos terrenos, porque a invasão aconteceu antes da criação do parque. A Sanepar e a prefeitura firmaram um convênio para canalizar e tratar o esgoto e os próprios moradores vão pagar as obras. Algumas famílias vão ter que deixar os locais onde moram, porque as casas estão a menos de dois metros da valeta.
Mesmo vivendo em condições sub-humanas, as famílias não querem se mudar. Amarílis Rocio Cândido trocou a casa em que vivia por uma outra na mesma área, só que num terreno mais alto, por causa das enchentes. ‘‘Meus netos viviam com feridas nas pernas. Depois que me mudei, eles melhoraram’’, diz. Segundo ela, quando chove a água desce o morro trazendo grande quantidade de lixo, que bloqueia a manilha sob uma rua e impede que a água escoe. Por isso, as casas ficam alagadas em poucos minutos.
Com as informações sobre o projeto de canalização e urbanização, os moradores das casas a serem desapropriadas tentam vendê-las para os mais desavisados. Márcia Regina Alípio de Carvalho, de 20 anos, quase comprou uma dessas casas por R$ 1.500,00, mas foi alertada a tempo. ‘‘Eu ia perder todas as minhas economias. Agora vou juntar mais dinheiro e entrar na fila da Cohab’’, diz.

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