Depois dos depoimentos do sargento Levi Teófilo (na quarta-feira) e do soldado João Reis (no dia seguinte), falta apenas o Instituto Médico Legal de Londrina esclarecer as dúvidas levantadas pela Promotoria de Ibiporã para a polícia complementar o inquérito sobre a morte do pastor José Idalécio Bueno.
O pastor morreu dia 9 de fevereiro, em Ibiporã, dentro de uma viatura da Polícia Militar, após um incidente com PMs no posto da Polícia Rodoviária na BR-369. Bueno parou seu carro no posto por determinação do sargento Teófilo, que alegou que ele dirigia em ziguezague. Testemunhas acusam Teófilo e outros PMs por terem espancando o pastor, que teria morrido afogado no próprio vômito quando era levado a um hospital.
O inquérito policial foi concluído no dia 10 de abril mas a Promotoria de Ibiporã o remeteu de volta no dia 14 ao delegado do 1º Distrito Policial, Edmo Ermenegildo, para que fossem esclarecidas algumas dúvidas.
O promotor Pedro Carvalho Santos Assinger está pedindo aos peritos do IML que respondam, com fundamentação, a 16 perguntas, todas baseadas nas lacunas deixadas pelo laudo de necrópsia. O promotor quer saber, por exemplo, por que não foram encontrados sinais de sangue no cadáver ou nas roupas do pastor, se foi constatado vestígio de sangue na viatura.
Os termos ‘estomatorragia’ e ‘cianose de face e pescoço’ utilizados no laudo deixaram o promotor em dúvidas. Ele pergunta em que consiste, causa e consequência de cada uma das constatações. Assinger questiona ainda por que o ‘‘odor fortemente alcoólico’’ foi incluído no tópico do laudo referente às lesões.
Cada uma das várias escoriações encontradas no cadáver também são questionadas pelo promotor. Ele cita o hematoma no couro cabeludo, escoriação no antebraço esquerdo e três escoriações no joelho esquerdo, entre outras. De cada uma das lesões, Assinger quer saber o objeto que produziu, se foi causada por ação humana, a extensão, intensidade e gravidade da lesão e ainda se cada uma delas é compatível com as formas de agressões citadas pelas testemunhas ouvidas pela Polícia.
As testemunhas afirmaram em depoimento que o pastor foi atingido por murros, tapas no rosto, chutes, joelhadas na região genital, torções de braços e pés, pancadas com revólver na cabeça, pressão da cabeça contra o chão e das pernas contra a grade da viatura e, ainda, que José Idalécio Bueno foi arremessado com violência para o interior da viatura. O delegado Edmo Ermenegildo tem até o dia 16 de maio para entregar o complemento do inquérito. Os responsáveis pela IML de Londrina não foram encontrados ontem pela Folha.
O promotor considera desnecessária a exumação pedida pelo advogado da família do pastor. Na opinião de Assinger, a exumação, nesse caso, só deve ser feita se necessária para responder às indagações por ele requisitadas para detalhar o inquérito.

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