Promotoria e defesa trocam acusações sobre interrupção
Promotoria e defesa trocam
acusações sobre interrupção
Tanto a acusação quanto a defesa tinham ontem versões próprias sobre as causas que geraram as discussões e, por fim, o cancelamento do julgamento dos três acusados do assassinato de Evandro Caetano. Um lado acusava o outro de ter causado as polêmicas e vice-versa.
O advogado da família da vítima, Edson Stadler, que atua como assistente de acusação, disse que o impasse foi provocado pelo desespero do advogado de defesa, Álvaro Borges Júnior, que teria visto sua tese ir por água a baixo. Quando o diretor do IML, Francisco Moraes, afirmou que não tinha dúvidas sobre a identidade do cadáver e que as mutilações eram por ação humana, a defesa começou a entrar em despero, disse.
Para Stadler, o desespero do advogado de defesa teria aumentado após Moraes ter ridicularizado perguntas feitas por Borges, o que teria provocado risos da platéia. Na verdade, os risos partiram dos promotores e dos assistentes de acusação, que foram repreendidos pelo juiz. Trata-se da morte de uma criança. Esse tipo de risada me constrange, afirmou à acusação Marco Antonio Antoniassi.
Já para Borges Júnior, o bate-boca começou porque a acusação pressionava o juiz a indeferir perguntas da defesa. Querem ganhar esse júri no grito, na coação, afirmou. Todas as perguntas indeferidas eram, segundo o juiz, subjetivas. O advogado de defesa considerou esse critério uma bobagem. Essa subjetividade é bobagem. Quem vai dizer se é subjetivo são os jurados, disse Borges. Ele lembrou que no julgamento de Celina e Beatriz Abagge o depoimento de Moraes durou cinco dias. Neste, a acusação pediu dispensa da testemunha. Borges não concordou.
Antes do depoimento do diretor do IML, haviam sido ouvidos o então superintendente da Polícia Federal, José Augusto de Mello Chueire, que acompanhou as investigações, e o promotor Roberto Dalcol, que tomou o depoimento dos acusados em Guaratuba.





