O Ministério Público da comarca de Curiúva determinou à delegacia de Sapopema (132 km ao sul de Cornélio Procópio) que abra inquérito policial para apurar responsabilidades da morte do agricultor Delmiro Alves Pereira, 61 anos, no dia 21. A família do agricultor acusa o Hospital Municipal Sant’Ana, de Sapopema, de ter negligenciado o atendimento a Delmiro.
Segundo o filho do agricultor Disonei Pereira, 19 anos, no dia 19 seu pai foi internado com dores no abdômen, sendo diagnosticado cólica de rim. ‘‘Neste dia ele recebeu somente soro e Buscopan. No dia seguinte, mesmo se queixando de fortes dores, não teve o tratamento que merecia’’, queixa-se.
Pereira garante que o médico Adalberto Yokio Morakami, que atendeu o pai dele, não estava no hospital no dia 20. ‘‘Ele havia ido pescar. Quando voltou para o hospital, à tarde, nem foi ver o meu pai. Por conta própria, resolvemos retirar o meu pai daquele hospital e interná-lo em Telêmaco Borba, a quase 70 quilômetros de distância, onde foi operado e morreu quatro horas depois’’, relatou.
Anteontem, duas semanas após a morte do pai, Disonei Pereira ainda não havia conseguido registrar queixa na delegacia. No mesmo dia à tarde, após conversa com Sebastião Otávio Moreira - agente de segurança (com função de delegado) de Sapopema -, Pereira procurou a Promotoria de Justiça em Curiúva. O policial alegou, por telefone, que não havia aberto o inquérito antes porque a família é humilde e necessitaria de um advogado. ‘‘Caso contrário, o inquérito não teria validade. Agora, com ofício da Promotoria de Justiça, fica dispensado o advogado’’, ressaltou.
O diretor clínico do Hospital Sant’Ana, Luiz Carlos dos Santos, disse que foi aberto um inquérito administrativo para apurar as condições de atendimento do agricultor. Ele garante que o médico que o atendeu diagnosticou suspeita de apendicite ou intoxicação por agrotóxico. ‘‘Tivemos informações de que ele havia se intoxicado, o que também pode provocar dor abdominal’’, justificou.
Ele informou que o médico havia dado alta para transferência de hospital no dia 20 de manhã, mas que nenhum parente do agricultor havia sido localizado. ‘‘Nós só não o levamos para Telêmaco Borba porque o hospital não dispunha de uma ambulância naquele momento. O hospital não tem muitos recursos. A família só apareceu à tarde para levá-lo para outro hospital’’, defendeu. Disonei Pereira rebate a informação. ‘‘A alta era para que meu pai fosse levado para casa, já que estaria curado’’.
O diretor clínico do hospital informou que o médico Adalberto Morakami foi afastado das funções até que o inquérito administrativo seja concluído. Funcionários do hospital, no entanto, garantem que o médico está de férias, mas não sabem onde ele pode ser localizado. O inquérito policial tem 30 dias para ser concluído.

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