Promotoria denuncia cinco envolvidos no escândalo do leite
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Cláudio Osti 
A Promotoria de Investigação Criminal (PIC) protocolou ontem na 4ª Vara Criminal denúncia contra Fredemax Mota, José Rojas Gavilan, Aristeu Rodrigues, Jaci Aguiar e José Theodoro Alves. Eles são acusados de tentativa de extorsão contra diretores da Cativa e da Central Norte, de Apucarana. A denúncia foi assinada pelos promotores Cláudio Esteves, Janderson Yassaka, Solange Vicentin e Miguel Sogaiar. O juiz da 4ª Vara Criminal, Arquelau Araújo Ribas, terá cinco dias para decidir se aceita ou não a denúncia. Quarta-feira serão iniciadas as férias forenses e, se o juiz não se manifestar até lá, é possível que a denúncia só seja analisada em agosto.
O caso começou há cerca de dois meses. Os diretores Osmar Buzinhani e Alfredo Carvalho, da Cativa, acusaram Mota, Rodrigues e Gavilan de pedir R$ 80 mil (R$ 30 mil da Cativa e R$ 50 mil da Central Norte) para que não fosse divulgado o resultado de laudos do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, que reprovavam o leite tipo C das cooperativas.
Fredemax Mota é apontado como assessor do suplente de vereador Jacy Aguiar (PDT). Gavilan é assessor do vereador Beto Scaff (PSDB), Rodrigues era assessor do vereador Alvair de Souza (PL) e José Theodoro Alves é vice-prefeito de Apucarana e teria participado dos contatos com a Central Norte.
Nos depoimentos prestados ao delegado do 4º Distrito Policial de Londrina, Joaquim de Melo, os cinco negaram a tentativa de extorsão. Os diretores da Cativa chegaram a apresentar uma fita cassete, que teria registrado o momento em que houve a conversa entre eles e os ex-assessores dos vereadores. O Instituto de Criminalística de Londrina não conseguiu transcrever a conversa devido a péssima qualidade da gravação.
O advogado Adolfo Góis, que defende Mota, Gavilan e Rodrigues, ao saber pela Folha sobre a denúncia apresentada à 4ª Vara Criminal, disse que irá esperar a decisão do juiz Arquelau Araújo Ribas. Se ele acatar a denúncia eu vou entrar com um pedido de trancamento da ação penal junto ao Tribunal de Alçada. Vamos alegar falta de provas e também suspeição do promotor Cláudio Esteves. O promotor acompanhou todos os depoimentos das supostas vítimas mas não acompanhou os depoimentos dos acusados. Também admitiu a um jornal ter opinião formada sobre o assunto mesmo antes de conhecer todas as informações dos autos, disse o advogado.


