Promotoria cobra atendimento melhor em postos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de junho de 1998
Osmani Costa 
O promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais, Paulo César Tavares, realizou na tarde de ontem no Fórum a terceira reunião de uma série que trata dos problemas de atendimento aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) nos hospitais públicos e privados de Londrina. Dela participaram representantes da Autarquia Municipal de Saúde (AMS), responsável pelo atendimento à população em 53 Unidades Básicas - os chamados postos de saúde - e cerca de dez integrantes dos cinco conselhos regionais de saúde.
É necessário que haja um melhor atendimento aos usuários nestas unidades básicas, para que diminua a procura pelos prontos-socorros dos hospitais secundários e terciários, que andam completamente superlotados nos últimos tempos, comenta o promotor Paulo Tavares. Os hospitais secundários são os da Zona Sul e da Zona Norte, pertencentes ao governo do Paraná, e os terciários - que têm estrutura para atendimentos mais complexos - são a Santa Casa e os hospitais Evangélico e Universitário.
Segundo o promotor, a reunião foi bastante proveitosa e serviu para que se conhecesse detalhes do funcionamento das unidades básicas de saúde, além das reivindicações dos usuários expostas pelos conselheiros de saúde. Deu para sentir que há por parte da AMS muito interesse em resolver as questões estruturais e passar a oferecer um melhor atendimento à população, diz Tavares, que nas semanas anteriores havia realizado reuniões com os diretores clínicos dos cinco principais hospitais de Londrina e com representantes da 17ª Regional de Saúde, órgão do governo do Estado que mantém os hospitais Zona Sul e Zona Norte.
A principal reclamação dos conselheiros regionais de saúde em relação ao atendimento nas unidades básicas, de acordo com Paulo Tavares, é contra a falta de médicos em tempo integral. Falta um maior envolvimento dos médicos na tentativa de se melhorar o atendimento aos usuários. A reclamação é que os médicos, muitas vezes, não cumprem a carga horária de quatro horas. E, quando cumprem, não atendem a mais de 16 consultas. Isto é um absurdo. Precisamos modificar esta situação.
Tavares diz que a AMS tem conhecimento deste problema e está tomando providências para tentar resolvê-lo. Nas próximas semanas, o promotor participará de reuniões com a comunidade, que serão realizadas pelos cinco conselhos regionais de saúde. Na manhã de ontem, ele esteve vistoriando o Hospital da Zona Sul, que desde o final de maio enfrenta problemas de superlotação. A situação lá é precária, de total improviso e falta de infra-estrutura. As instalações são muito acanhadas e necessitam urgente de uma reforma e ampliação. Vamos acionar o Estado para que isto ocorra o mais breve possível.


