Emerson Cervi
De Curitiba
O promotor de justiça da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Hilton Corteze Kaneparo, apresentou ontem denúncia contra Nelson Pomerening, 51, acusado de aplicar um golpe de R$ 12,6 milhões na Companhia Providência. Na denúncia, o promotor cita 121 crimes de estelionato praticados por Pomerening nos últimos quatro anos. Kaneparo também pede investigações independentes de outras infrações. ‘‘No inquérito há notícia de crimes que precisam ser melhor investigados pela polícia’’, afirmou.
Juçara do Rocio de Paula, 43, e Léia Maria Zamuner, 43, que estão presas há uma semana com Pomerening, também foram denunciadas pelo Ministério Público por estelionato. O inquérito policial sobre adulteração de cheques e desvio de recursos da Companhia Providência tem 63 volumes. Os três acusados devem continuar presos. ‘‘A prisão foi solicitada pela polícia, por razões que ela apresentou e não creio que seja revogada’’. Pomerening não é réu primário. Em 1988 ele foi condenado por apropriação indébita pela 5ª vara criminal de Curitiba. A pena prescreveu e o processo foi arquivado há dois anos.
Pomerening era o contador chefe da Companhia Providência desde 1989. Juçara do Rocio e Léia Maria trabalhavam no departamento financeiro. Segundo inquérito policial, os três adulteravam os cheques depois de assinados pelos donos da empresa. Dois dígitos eram acrescentados, transformando um valor de R$ 1.830,00 em R$ 201.830,00, por exemplo. Como eram eles que preenchiam os cheques, deixavam espaço no início da linha do valor por extenso para acrescentar os dígitos depois que os documentos eram assinados. ‘‘A perícia não deixa dúvidas sobre a adulteração’’, afirmou o promotor.
O inquérito policial também indiciava outros funcionários da Companhia Providência, mas o promotor os excluiu da denúncia judicial por falta de provas. ‘‘Existem mais envolvidos no golpe, incluídos na denúncia, que não trabalham na empresa’’, lembra Kaneparo. O delegado Olavo Americano Romanus, que presidiu o inquérito, diz que há pelo menos outros dez envolvidos.
Paralelo à denúncia do Ministério Público, a Polícia Federal investiga possíveis crimes de sonegação e evasão de divisas. A queixa crime foi protocolada pelo próprio Pomerening, em março. Ele diz que agia com o conhecimento dos donos da empresa.

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