Promotoria apura 'empréstimo' de Lara
Dimitri do Valle
De Curitiba
O Ministério Público tem um depoimento que muda a versão sobre a compra, sem licitação, das jaquetas coreanas para a Polícia Militar. A antecipação de R$ 350 mil para adquirir o material, que ficaria a cargo do importador Georges Pantazis, seria um empréstimo pessoal que o comandante geral da PM, coronel Luiz Fernando de Lara, teria concedido em abril passado ao empresário. Há uma semana, a Promotoria de Investigações Criminais (PIC) esteve no escritório de Pantazis em Curitiba onde apanhou documentos para esclarecer o caso.
As informações foram prestadas à PIC por coronéis que foram contra a transação, considerada por eles como ilegal. Outro dado apurado pelos promotores é um segundo empréstimo, de R$ 130 mil, que Lara fez a Pantazis em junho. Quando os coronéis integrantes do conselho administrativo descobriram o adiantamento de R$ 350 mil, Pantazis devolveu aos cofres da PM os R$ 130 mil restantes.
Em agosto, apesar de toda polêmica instaurada no alto comando da PM, as jaquetas ainda eram prioridade. Os coronéis decidiram naquela ocasião, para setembro, o início do processo de licitação pública que definiria a empresa responsável pela compra das jaquetas. O lote chegaria a 20 mil vestimentas que seriam usadas para equipar a tropa de todo o Paraná no inverno do ano que vem. O coronel Lara, que aprovou verbalmente a verba de R$ 350 mil para Pantazis, não votou na reunião. O comandante só vota em caso de empate.
Desde o início deste mês, o conselho administrativo da PM passa por momentos de turbulência. O coronel Ivo Matickoski foi exonerado da diretoria de finanças junto com os coronéis Justino Henrique de Sampaio Filho (Comandante do Policiamento da Capital) e Walter Cardoso de Aguiar (comandante do Policiamento do Interior), que eram integrantes efetivos do conselho. Justino e Aguiar teriam mantido suas posições no conselho depois que o governador Jaime Lerner intercedeu. O objetivo da saída dos coronéis era reforçar a posição de Lara no conselho e tocar adiante a transação dos R$ 350 mil necessários para a compra de 3,5 mil jaquetas da Coréia do Sul.
Ontem, a assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que Justino e Aguiar não foram exonerados do conselho. Matickoski, segundo o Palácio, teria saído porque acumulava cargo de tesoureiro da Associação da Vila Militar (AVM), o que representa incompatibilidade. Coronéis entrevistados pela Folha mantêm versão de que Matickoski saiu porque denunciou o caso das jaquetas.





