Promotoria apreende embalagens tóxicas na Isogama, para perícia
O Centro das Promotorias do Meio Ambiente solicitou a apreensão de cerca de 400 quilos de embalagens plásticas que estão no pátio da empresa de produtos químicos Isogama, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A Isogama havia sido denunciada no mês passado por doar o material para uma empresa que trabalha com reciclagem de papéis. De acordo com o ecologista Miguel Jorge Spikula, as embalagens eram usadas para armazenar substâncias tóxicas e não poderiam ser reaproveitadas.
A coleta de lixo da Isogama foi suspensa pela Prefeitura de São José dos Pinhais há cerca de 60 dias. A empresa que presta o serviço de coleta de lixo no município constatou a presença de lixo industrial junto com resíduos orgânicos. A Isogama trabalha com a produção de defensivos para madeira.
A empresa informou que houve engano por parte dos funcionários durante a seleção do lixo, disse o secretário municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, Espartano Tadeu da Fonseca. A prefeitura pediu que a direção da Isogama apresentasse um termo de responsabilidade para arcar com futuros danos ambientais. O documento serviria para restituir a coleta, mas segundo o secretário, o termo não foi apresentado até hoje.
Mesmo negando qualquer relação com o caso da doação das embalagens, a Isogama se comprometeu a ficar como fiel depositária do material até que elas fossem periciadas. Temos que fazer a verificação de que tipo de poluição as embalagens podem causar e o destino correto que deve ser dado a elas, disse o promotor Saint Clair Honorato dos Santos, referindo-se à inspeção do material. Os restos de embalagens foram acondicionados em tonéis de ferro que estão nos fundos do pátio da Isogama, localizada às margens da BR-376.
O ecologista Jorge Spikula diz que a queima das embalagens só poderá ser feita num forno especial. Na Região Metropolitana de Curitiba, a incineração de materiais tóxicos é realizada na empresa Cavo, que dispõe do equipamento. O ecologista contatou o Centro das Promotorias do Meio Ambiente para pedir a inspeção das embalagens.
Spikula afirma que recebeu as embalagens da comércio de Papéis Aguiar, que teria retirado o material da Isogama. Spikula tem cópias de documentos do transporte da carga, feito pelos motoristas da Aguiar. Mesmo assim a direção da Isogama negou, ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que as embalagens lhe pertencem.





