O promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares, vai entrar com uma ação civil pública contra o governo do Estado do Paraná, exigindo a liberação de recursos para reforma e ampliação do Hospital Universitário (HU), da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Ontem de manhã ele esteve reunido com o diretor-superintendente do HU, Cláudio Camacho, e solicitou levantamento completo da situação do hospital para que possa subsidiá-lo. Assim que tiver o levantamento em mãos, afirma, começa a preparar o processo.
‘‘Chegamos a um ponto insuportável em relação ao HU. E a postura do governo do Estado sempre foi de desprezo absoluto’’, critica o promotor. Ele observa que o Ministério Público já enviou diversos ofícios endereçados às secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia, Saúde e Casa Civil, mas nunca obteve resposta. ‘‘Até o Ministério Público está sendo desprezado.’’
CríticasO promotor Tavares (dir.), reunido com médicos e diretores do HU: ‘Ponto insuportável e descaso do governo’Além da atuação da promotoria e de entidades civis de Londrina, recorda Tavares, a própria direção do hospital tem reiteradas vezes alertado o governo sobre a importância da reforma do HU - o único hospital público de nível terciário da região - para desafogar o sistema de saúde da Cidade. Até agora, no entanto, não foi tomada nenhuma providência. ‘‘No âmbito administrativo já fizemos tudo o que tinha a fazer’’, lamenta o promotor. E ironiza: ‘‘Para o governo, não há problema no HU’’.
Cláudio Camacho diz que no máximo em 15 dias conclui o levantamento solicitado por Tavares. Ele concorda que a situação do HU já esgotou todos os limites possíveis. Destaca que, continuando desta forma, em curtíssimo prazo a Cidade corre o risco de ver paciente morrer na porta do hospital por falta de atendimento. ‘‘Estamos caminhando para uma coisa desagradável. A demanda está crescendo e não temos mais como sustentar isso’’, diz.
O superintendente lembra que, além do crescimento natural da Cidade, a situação tende a se agravar com formação da Região Metropolitana e também com a atração de novas empresas para a Cidade - que, por consequência, atrai novos moradores.
Segundo o diretor do HU, os pontos mais críticos hoje são o pronto-socorro e os leitos de internação. Em média, o hospital chega a atender até 350 pacientes por dia no PS, mas esse número seria maior não fosse a superlotação. Camacho explica que o pronto-socorro funciona enquanto os 284 leitos, enfermarias e até os corredores do hospital - que hoje têm até placa afixada na parede, identificando o paciente - apresentam possibilidade mínima de internação. Depois disso, não tem como segurar mais ninguém no local.
Cláudio Camacho observa ainda que há pelo menos 20 anos Londrina mantém o mesmo número de leitos disponíveis em hospitais terciários - além do HU, Santa Casa e Hospital Evangélico - ao mesmo tempo que, de lá para cá, a população praticamente dobrou. Há quatro anos à frente do hospital, o diretor lamenta que a situação tem piorado muito e comprometido, sobretudo, a qualidade do serviço oferecido à população.
‘‘Se tiver um acidente com grandes proporções na região, por exemplo, a coisa vai ficar difícil. Até porque os outros hospitais também estão na mesma situação’’, alerta Camacho. Ele informa ainda que, durante o período em que esteve à frente da direção do HU, participou de diversas etapas de negociação para liberação de recursos para o hospital e até agora não obteve nada de concreto. Ontem à tarde, novamente, ele teria nova audiência em Curitiba com o secretário de Saúde do Estado, Armando Raggio, para cobrar as verbas do HU. Mas tinha poucas esperanças de uma boa notícia.
A Folha tentou falar ontem com o secretário de Saúde, por telefone, mas não obteve retorno da ligação.
O projeto de reforma e ampliação do HU, uma antiga reivindicação da comunidade londrinense, já está pronto, inclusive com maquete. Os recursos para a reforma - cerca de R$ 30 milhões - chegaram a ser aprovados pela Assembléia Legislativa e fizeram parte do orçamento de 1996. Apesar disso, nunca foram liberados pelo Palácio Iguaçu.
A ampliação do HU elevaria o número de leitos - que atende cerca de 18 mil pacientes do SUS por mês - de 284 para 400. As verbas seriam aplicadas também na compra de novos equipamentos e na reforma das estruturas elétrica, hidráulica e física. Com mais de 50 anos de existência, o prédio que abriga o HU foi construído incialmente para ser sanatório de tuberculose. Aos poucos foi se adaptando para ser hospital geral e hoje é o maior hospital público do Estado, atendendo mais de 200 municípios do Paraná e outros estados.

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