Promotoria alerta empresas sobre crimes ambientais
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de dezembro de 2001
Marta Medeiros<br>De Maringá 
O promotor de Meio Ambiente, Ilecir Herckett, deu ontem um ultimato para as empresas poluidoras de Maringá e alertou que no próximo ano vai entrar com uma série de processos por crimes ambientais. Segundo Herckett, o aumento de denúncias e o resultado de um levantamento feito pela Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal chamou a atenção do Ministério Público. De acordo com um trabalho de pesquisa feito pelo engenheiro químico Lourival Domingos Zamuner, professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), os 19 córregos que atravessam a área urbana estão poluídos ou contaminados por efluentes de tinturarias, frigoríficos, curtumes e indústrias de refrigerantes, além de esgotos clandestinos e pocilgas.
Na ánalise físico, química e bacteriológica, o professor constatou desde altos índices de coliformes fecais a metais pesados, como o mercúrio e níquel, que provocam câncer. Segundo Zamuner, o valor máximo de DQO (demanda química de oxigênio) tolerável pelo Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) é de 20mg por um litro de água. A pesquisa revelou no Córrego Cleópatra o maior da cidade com 3,4 quilômetros de extensão um DQO de 731mg/l. O DQO é uma referência para se medir o nível de contaminação da água.
Herckett disse que o maior problema da promotoria é a falta de laudos técnicos para materializar o crime ambiental na Justiça. Em reunião convocada ontem com representantes de empresas, a promotoria recebeu o apoio da universidade e da comissão de vereadores que pretende, no ano que vem, implementar o trabalho de fiscalização para formalizar as denúncias junto ao Ministério Público. Além de fornecer laudos técnicos, a universidade também vai formalizar ações civis públicas contra empresas através de um projeto piloto com formandos do curso de Direito.


