A fiscalização do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) nas instalações da Repar, em Araucária, está sendo apontada como deficiente por representantes de entidades ambientalistas, promotores de Justiça e do sindicato dos petroleiros. Eles afirmam que o IAP revalidou a licença ambiental da refinaria sem inspecionar o plano de emergência da empresa, um dos documentos que autoriza a Petrobras a funcionar na cidade. O presidente do IAP, José Andreguetto, nega qualquer falha na fiscalização e considera ‘‘um absurdo’’ envolver o instituto como responsável pelo acidente.
‘‘Nós que trabalhamos lá dentro nunca vimos um técnico do IAP. Se tem fiscalização, ela é falha’’, afirma Roni Anderson Barbosa, diretor do Sindicato dos Petroleiros e funcionário do setor de transferência e estocagem, onde ocorreu o acidente no domingo passado. ‘‘Se o IAP tivesse fiscalizado realmente, teríamos um megaplano de salvamento’’, complementa Barbosa.
‘‘O IAP fiscaliza e monitora, sim. Você acha que numa fiscalização dá para evitar um acidente desta natureza?’’, indaga o presidente do IAP, José Andreguetto. Ele acha temerário envolver o nome do instituto, pois isso pode desviar a atenção da investigação sobre o derramamento do óleo e os verdadeiros responsáveis.
O Ministério Público tem ações judiciais contra o IAP e o Ibama por liberar a instalação de empresas em áreas de preservação permanente de Araucária. Segundo a promotora do Meio Ambiente do município, Estela Burda, o instituto figura como réu no caso de uma empresa espanhola do ramo de siderurgia. O IAP autorizou a empresa a se instalar num terreno em fundo de vale, o que não é permitido pela legislação ambiental. Neste processo, a Prefeitura de Araucária e uma empreiteira que realizou a terraplenagem também foram denunciados. A promotora confirmou que vai investigar de que forma o IAP exercia esta fiscalização dentro da Repar.
A presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), Lídia Lucaski, descreve que na área onde ocorreu o vazamento não existe uma região apropriada para concentrar o petróleo, como lagoas de contenção, em caso de derramamento.
O presidente do IAP, José Antônio Andreguetto, nega que a fiscalização na Repar tenha sido precária. ‘‘Sempre fiscalizamos e estamos fazendo isso agora também’’, rebate. ‘‘Primeiro temos que saber as causas do acidente, para depois saber quem foi o responsável.’’ Andreguetto classificou a tentativa de associar o IAP ao vazamento como ‘‘leviana’’, ‘‘uma barbaridade’’.

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