O Ministério Público começa a investigar a partir de hoje todos os casos de assassinatos levantados pela CPI Estadual do Narcotráfico. A decisão do MP foi tomada ontem, dia em que integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal estiveram no Paraná conferindo como estão as investigações sobre as mortes que teriam relação com o tráfico de drogas.
O procurador Dartagnan Cadilhe Abilhôa, coordenador da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), que anteriormente havia referendado os dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública, de que não havia qualquer tipo de ligação entre as 22 mortes apontadas pela CPI e o crime organizado, garantiu que atuará com rigor para a apuração dos fatos.
Ele já solicitou que os laudos de necropsia e balística dos casos apontados sejam encaminhados para o Ministério Público e espera receber os exames até o início da semana que vem. ‘‘Tínhamos apenas as informações que as pessoas mortas tinham relação com o tráfico de drogas, mas não havia nada de concreto. Agora, que temos indícios de ligação entre as mortes e policiais civis, vamos apurar com rigor’’, declarou ele, após ouvir o depoimento dado pelo deputado estadual Ricardo Chab (PTB), relator da CPI Estadual do Narcotráfico.
Até agora, a PIC apenas apurava a execução do detento Paulo Miranda, o Cristo, em Itaperuçu, Região Metropolitana de Curitiba. Caso que os promotores avaliam que houve negligência. Miranda foi transferido do 13º Distrito Policial de Curitiba para Itaperuçu sem qualquer autorização judicial. Ele foi executado horas depois. A suspeita é a de que tenha sido queima de arquivo. ‘‘Foi tudo planejado. Houve o esvaziamento da delegacia para uma suposta diligência e ele foi morto. Ainda estamos investigando para saber os autores do assassinato. Não conseguimos comprovar se foi com motivações políticas ou por ligação com o desmanche de veículos’’, explicou Abilhôa.
Este caso especial também foi o principal motivo da vinda da Comissão dos Direitos Humanos da Câmara Federal para o Paraná. ‘‘Tivemos execuções bárbaras por causa da CPI no Maranhão, em Brasília e no Paraná. O caso do Paraná que nos chamou a atenção foi a morte do Cristo’’, justificou o deputado federal Padre Roque Zimmermann (PT-PR), integrante da comissão.

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