Paulo Pegoraro
De Cascavel
Membros do Ministério Público (MP) que atuam em Cascavel denunciaram ontem que estão recebendo ameaças. O promotor criminal Wilson José Galheira é alvo direto de ameaça de morte expressa em cartas anônimas que recebeu. O relato foi feito em entrevista coletiva, por oito dos dez promotores da comarca (os outros dois estão em férias). Galheira preferiu não apontar a origem da ameaça, mas outro promotor disse que a ‘‘banda podre’’ – denominação usada para maus policiais – ‘‘sempre se sentirá atingida por ações moralizadoras’’.
Na semana passada, os promotores Wilson Galheira, Cláudia Biazus e Carlos Choinski, que investigam receptação e desmanche de carros roubados, haviam denunciado que estavam recebendo ameaças por telefone. No sábado, Galheira recebeu uma carta com ameaça de morte e ofensas à sua honra, por isso, preferiu não fornecer cópia. Ontem, recebeu outra, da qual foi distribuída cópia. A carta, feita em computador, foi postada sábado em uma agência central dos Correios, e seu conteúdo revela que o autor conhece detalhes do funcionamento da Polícia, MP e Judiciário.
O autor diz ser da Polícia Civil e escreve em nome de um grupo de pessoas. ‘‘Estamos vivendo verdadeiro inferno, perseguidos e acusados sem prova alguma de nossa culpabilidade’’, diz um trecho. Galheira estaria prejudicando ‘‘delegados, investigadores e escrivães’’, ao cobrar junto à Corregedoria de Polícia ‘‘investigações criminais e administrativas’’ contra integrantes da 15ª Subdivisão Policial (SDP) de Cascavel ‘‘por estarmos com nosso trabalho extremamente atrasado’’.
‘‘Estamos entre matar ou nos suicidarmos, e preferimos matar você. Não seremos nós quem vai te matar, mas alguém que fará o serviço por nós. Sabemos onde você mora, a hora em que sai e chega em casa e conhecemos sua camioneta’’, avisa a carta. Galheira, mesmo cauteloso, ligou as ameaças à exigência que vem fazendo de apressamento de 50 inquéritos na 15ª SDP, envolvendo o crime organizado e até políticos locais. O promotor disse que ‘‘há casos de demora de até quatro anos sem conclusão’’, e outros ‘‘com mais de um ano sem qualquer diligência ou pessoa ouvida’’.
A Corregedoria de Polícia e a Procuradoria de Justiça do Estado já foram informadas das ameaças aos promotores, que pediram segurança especial. A Folha tentou ouvir o delegado-chefe da 15ª SDP, Haroldo Davison. Segundo sua secretária, ele mandou dizer que não atenderia a imprensa na tarde de ontem.
Na semana passada, o delegado Manoel Pelisson foi acusado de envolvimento na venda de uma carreta roubada apreendida em Cascavel. Pelisson negou a denúncia ao Ministério Público, e apresentou provas. O caso envolve também o empresário Sidney Alves, dono de uma loja de autopeças e piloto de Fórmula Truck, que está com a prisão preventiva decretada por receptação. O MP recebeu ontem informação de que ele estaria em Buenos Aires (capital da Argentina), hospedado em um hotel-cassino.Um dos promotores relaciona carta ameaçadora com pedidos de apressamento em 50 inquéritos parados na Polícia Civil
Edson MazzettoSEGURANÇA ESPECIALPromotores de Justiça denunciam as ameaças e pedem proteção; três receberam ameaças por telefone ao iniciar investigação sobre venda de um veículo apreendido pela Polícia a um dono de autopeças

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