Promotores debatem direitos do idoso
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terça-feira, 21 de outubro de 1997
Elisa Marilia Carneiro 
Curitiba
Arquivo FolhaRosana: Os asilos são um comércio que tem crescido sem pudorCerca de 1% da população idosa (com mais de 60 anos) de Curitiba vive em asilos. Todos os meses, técnicos da Vigilância Sanitária e promotores de Justiça visitam asilos e, segundo a coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Defesa dos Direitos dos Idosos, Rosana Beraldi Bevervanço, com frequência são encontrados alimentos estragados, medicamentos com data de validade vencida e marcas de maus tratos. Os asilos são um comércio que tem crescido sem nenhum pudor, alerta.
Pela primeira vez no Paraná e no Brasil, os promotores dos Direitos dos Idosos da região Sul se reúnem especificamente para debater os direitos dos idosos. O encontro aconteceu durante dois dias e terminou ontem no Centro de Convenções de Curitiba, durante o 2º Encontrão da Terceira Idade. Os promotores se reúnem com frequência para discutir todos os assuntos, mas pela primeira vez debatemos a questão do idoso separadamente, disse Rosana.
Os maiores problemas enfrentados pela pessoa idosa é o preconceito social, a dificuldade de inserção ou reinserção no mercado de trabalho e as ofensas morais no âmbito familiar. Quando o problema está na família, o sofrimento gerado é bem maior. Os crimes clandestinos, nesses casos, tendem a se perpetuar, uma vez que o idoso prefere até apanhar a perder o único vínculo afetivo que lhe resta, diz a promotora.
Os idosos da classes sociais mais carentes são os que mais sofrem violações de seus diretos, segundo Rosana Bevervanço. A questão é cultural-capitalista. Quando a pessoa se torna improdutiva, é considerada lixo. Recebemos pouquíssimas denúncias. Existe uma resistência da família a que o Ministério Público interdite os asilos, por puro comodismo. É preferível uma Santa Genoveva - se referindo à clínica interditada no Rio de Janeiro depois da morte de dezenas de velhinhos internados - a ter de tratar de seus pais e avós.
A promotora afirmou que, no caso de conflitos familiares, o Ministério Público sugere alterações no relacionamento com os idosos dentro de casa e, em geral, a família muda de comportamento. Nessas ocasiões os promotores explicam aos parentes seus deveres de assistência em locais adequados.
O Ministério Público tem participado do aperfeiçoamento legislativo através do Fórum de Política Nacional do Idoso. Há necessidade de alternativas como casas-lares, condomínios da terceira idade e centros de convivência. Só bailes não adianta, diz.


