São Paulo - Em 15 anos, um projeto que une organizações não-governamentais, promotores, juízes, advogados, sociólogos, delegados e redes feministas prepararam mais de quatro mil mulheres para defender os direitos de outras mulheres, principalmente em casos de violência doméstica e abusos sexuais.
O objetivo delas, chamadas de promotoras legais populares, é cobrar políticas públicas que ainda não foram implantadas ou que não são cumpridas. E, aos poucos, com sua atuação, têm conseguido disseminar uma nova cultura de atendimento em delegacias e hospitais.
Geralmente instaladas em hospitais de bairro, igrejas, sedes comunitárias e até mesmo em suas casas, elas são procuradas por mulheres vítimas de violência. Conversam com elas e as acompanham até a delegacia.
''Acompanho vários casos em que a mulher está sendo ameaçada de morte pelo marido e o delegado se recusa a fazer boletim de ocorrência por se tratar de ameaça. Outros exigem testemunhas, quando todos têm medo de falar e a violência ocorre entre quatro paredes'', conta Maria Amélia de Almeida Teles, presidente da União de Mulheres de São Paulo e coordenadora do Programa Promotora Legais Populares. ''Se a vítima tiver a sorte de estar acompanhada por uma promotora popular, o delegado acabará fazendo o BO ou o caso irá para o Ministério Público.''

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