Pensar prioridades, estalebecer estratégias de ação para 2004 e se fortalecer como grupo, embasadas em um esquema definido de planejamento. Esses pontos foram o mote para uma oficina ministrada ontem à tarde ao grupo de Promotoras da Cidadania, composto por líderes comunitárias das Zonas Norte e Leste de Londrina que orientam mulheres vítimas de violência.
O projeto nasceu no início do ano passado, resultado de uma parceria entre a Secretaria Municipal da Mulher e a Associação Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Apeart), e já capacitou 46 promotoras. Na oficina de ontem, ministrada pelos professores Wagner Roberto do Amaral e Cássia Maria Carloto, do Departamento de Serviço Social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), elas receberam informações sobre como orientar as vítimas de maus tratos, encaminhando-as a atendimento especializado além de se organizarem e formarem uma identidade coletiva.
''A violência exige inúmeras pequenas ações para ser combatida. Mas quem faz isso também precisa ter uma perspectiva política para exigir políticas públicas de auxílio'', avaliou a professora. ''Uma vez fortalecidas coletivamente, com um planejamento de ações traçado, essas mulheres poderão até formar uma associação, ou uma organização não-governametal (ONG)'', destacou Amaral.
Para a secretária municipal da Mulher, Maria José Barbosa, agora é que vai começar a atuação concreta das promotoras. De acordo com ela, o fato de grande parte das integrantes participar de pastorais ou ser agentes comunitárias de Saúde será complementado na busca de iniciativas contra a violência , uma vez que ''cada uma saberá onde exatamente agir''. No próximo semestre, adiantou, o projeto também deve ser levado às Zona Sul e Oeste da cidade.
Orientadas pelas promotoras, as vítimas de agressão são encaminhadas a órgãos como a Delegacia da Mulher, o Conselho Tutelar, o programa Rosa Viva (voltado a vítimas de violência sexual) ou o Centro de Atendimento à Mulher (CAM). Somente um terço de todos os casos de Londrina chegam à secretaria, mas, segundo Maria José, desde que o programa foi implantado as denúncias de estupro dobraram.

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