Promotora suspeita de fuga facilitada
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segunda-feira, 05 de junho de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
As circunstâncias em que quatro adolescentes conseguiram fugir do Centro de Sócio-Educação de Londrina, o Educandário, na noite de sexta-feira, ainda eram um mistério ontem. O diretor da instituição, Cássio Silveira Franco, interrogou alguns dos educadores que estavam de plantão: ''As informações ainda são bem desconexas''. A promotora da Vara de Infância e Juventude de Londrina, Édina de Paula, suspeita que possa ter havido facilitação da fuga.
Por volta da zero hora de sábado, segundo o diretor, dez internos escaparam de três celas, rompendo as grades de proteção. Eles atravessaram a área de recuo que separa os alojamentos do muro externo e tentaram ganhar a rua. Seis deles foram contidos por educadores e funcionários. Os demais fugiram.
''Estamos ouvindo todos os educadores e também os meninos (que tiveram a fuga frustrada) para saber os detalhes'', resumiu Franco. A próxima etapa é abrir um inquérito administrativo para apurar possíveis responsabilidades, mas o diretor não definiu um prazo.
A segurança da unidade foi reforçada após a série de tumultos e fugas ocorridas desde abril do ano passado, quando foi reinaugurada. A situação mais grave foi registrada em dezembro, quando uma rebelião deixou um funcionário e um adolescente feridos. Naquela ocasião, de acordo com o diretor, o telhado do Educandário foi danificado e teve que passar por reformas, o que atrasou a instalação de câmeras de segurança. Até agora os equipamentos não foram colocados.
Há três meses, um interno condenado por dois homicídios e suspeito de mais dois fugiu e foi reencontrado por acaso, há poucas semanas, por um delegado da Polícia Civil. Franco explicou que o adolescente se aproveitou de uma atividade externa.
Édina de Paula acredita que ''provavelmente alguém facilitou a fuga'' do último sábado. ''Dificilmente alguém sairia sem ajuda'', avaliou. Ela frisou que a segurança da unidade é boa, do ponto de vista físico.
Com relação a fugas durante atividades externas, Édina afirmou que têm sido raras. ''Os internos vão passando por diversas fases, participando de oficinas, até ganhar o direito de fazer uma atividade fora da instituição, acompanhados por educadores. Quando entram nesse processo, é porque já estão adaptados à questão da rotina, dos limites. Eles sabem que se fugirem e acabarem voltando ao Educandário, terão que recomeçar do zero.''


