O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Rubens Guimarães, que também mostrou-se favorável ao trabalho de adolescentes na Zona Azul, passou por uma ‘‘saia justa’’ ontem, durante a reunião no gabinete do prefeito Nedson Micheleti (PT). A promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula, contou que foi ameaçada na porta de um colégio, por um ‘‘flanelinha’’, e foi obrigada a pagar a ele ‘‘cincão’’ (R$ 5,00). ‘‘Eu chamei a PM e ela não veio’’, reclamou a promotora, numa crítica direta à eficiência dos polícia.
Guimarães, que durante a reunião permaneceu separado das autoridades (o cerimonial da prefeitura lembrou-se de convidá-lo a integrar o grupo depois que algumas pessoas já tinham discursado), devolveu a alfinetada da promotora no mesmo tom. ‘‘A senhora (Edina Maria) poderia prendê-lo (o flanelinha), doutora’’. Ela retrucou: ‘‘Eu não vou discutir isso com o senhor.’’
Segundo o comandante, a PM faz o que pode, mas nem sempre tem condições de atender a todos os que se queixam dos flanelinhas. A PM, lembrou ele, combate os efeitos, e não as causas sociais e econômicas que empurram os flanelhinhas para as ruas. Antes de falar oficialmente na reunião, ele já havia reclamado que todos jogam a culpa na PM. ‘‘Não temos as costas tão largas assim’’.
Guimarães também pôs em dúvida que os adolescentes da Zona Azul estejam sendo ameaçados de forma alarmante, como tem sido divulgado pela imprensa. Por questões de segurança, ele não divulgou o efetivo de policiais destacado para cuidar do centro da cidade, mas disse que o número é compatível com as necessidades. Além disso, frisou o tenente-coronel, a PM trabalha com o efetivo que é disponibilizado.

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