Promotora questiona a segurança do Cinema Café
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de novembro de 1997
Cláudia Lopes 
A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Maria Lucia Reichenbach, ajuizou ontem ação civil pública contra a execução de música ao vivo e mecânica na casa de shows Cinema Café.
Apesar de a ação ser fundamentada no laudo pericial feito na madrugada do último domingo - que indicou um volume superior a 60 decibéis nas residências vizinhas ao estabelecimento -, a promotora também usa como argumento o fato de uma moça ter sido atingida por uma peça que se soltou do teto da casa noturna na madrugada do dia 16 - dia da inauguração - e na informação de um perito do Instituto de Criminalística de que, na boate, só existe uma porta de emergência pequena, do tamanho de uma convencional, para a evacuação de mais de 4 mil pessoas. São situações que colocam em risco a segurança dos frequentadores do local, diz Maria Lúcia.
A contadora Maria Eunice Lima, 29 anos, atingida na cabeça por um objeto que despencou do teto, registrou queixa de lesões corporais na última segunda-feira. Ao ser atingida, Maria Eunice desmaiou e foi levada pelos seguranças ao pronto-socorro da Santa Casa. Estava dançando e quando acordei tinha três galos na cabeça e um corte, conta. A casa noturna pagou todas as despesa médicas.
Um dos proprietários do Cinema Café, Manoel Abrão Neto, não tem conhecimento do acidente. Sobre a saída de emergência, ele garante que a porta está dentro dos padrões exigidos. Pedimos paciência aos moradores. Além de colocarmos mais uma porta na entrada, seis metros a frente da porta principal para diminuir o vazamento de som, colocamos carpete e vedamos todas as portas com borracha. Até sábado, também colocaremos silenciadores nos exautores e no sistema de ventilação.
Descartada a hipótese de construir um estacionamento nas proximidades da casa, por falta de terrenos vagos na região, Abrão pretende procurar o IPPUL hoje para tentar o fechamento da rua Pandiá Calógeras aos sábados à noite. Também estamos estudando a mudança da entrada da boate para a avenida Rio Branco, diz. O Cinema Café emprega 72 pessoas. Ao todo, o grupo, que também é dono da Apoteose e da Mostarda Blue, gera cerca de 180 empregos diretos.


