O diretor da Cipasa, Ibrain José Barbino, de 55 anos, autor confesso do assassinato do empresário Ciro Frare, 67 anos, poderá perder o direito de deixar o país. Anteontem, a promotora da 1 Vara Criminal, Susana Broglia Feitosa de Lacerda, entrou com pedido de retenção do passaporte do diretor como forma de impedir que deixe o País. Ela também ingressou com recurso junto ao Tribunal de Justiça pedindo a revisão do indeferimento do pedido de prisão preventiva de Barbino, que foi negado na última terça-feira pelo juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado.
Com relação ao pedido de retenção do passaporte e proibição de deixar o País, a promotora baseou-se na situação econômica de Barbino e em precedentes em instância superior. O pedido não foi apreciado ontem por Machado e, como ele entrou em período de férias forenses, quem deverá analisá-lo é a juíza substituta Fabiane Aires Bressan. Já com relação ao recurso, a promotora usou 30 laudas para tecer suas argumentações. A peça foi interposta ontem e, segundo ela deverá demorar algum tempo para ser julgada.
O advogado de Barbino, Antônio do Amaral, afirmou que não via motivos para a retenção do passaporte. Ele disse que iria conversar com seu cliente ainda ontem para definir se iria ou não pedir a prorrogação por mais cinco dias do salvo-conduto que obteve da Justiça e que liberou Barbino de se apresentar à Polícia na semana passada. O diretor está em tratamento médico e, segundo o advogado, se tiver condições poderá ser interrogado pelo delegado do 1 Distrito Policial que preside o inquérito, Marcos Belinati. Hoje, Amaral deve se encontrar com Belinati para conversar sobre o caso.
O advogado também respondeu às críticas feitas pelo colega de profissão, Luciano Teixeira Odebrecht, que opinou que Barbino deveria ser preso preventivamente ''por uma questão de moralidade da justiça''. Amaral rebateu: ''se ele respondeu como professor, lamento pela formação que ele está dando a seus alunos, já que ele deveria conhecer o mínimo do Código de Processo Penal. Se ele respondeu como advogado, ele não teve ética, porque o Estatuto da profissão não permite que um profissional venha a tecer comentários sobre causas que não lhe dizem respeito''. Amaral disse que poderá tomar medidas legais contra Odebrecht. Familiares de Ciro Frare entraram em contato ontem com a Folha para manifestarem ''perplexidade com a postura do juiz''.
Em entrevista durante a semana, o juiz argumentou que havia concedido o prazo de cinco dias ''porque não havia nada contra ele (Barbino), nem o pedido de prisão preventiva''. Frare foi morto com cinco tiros disparados pelo ex-diretor durante uma reunião na sede da Cipasa. A Polícia investiga se o motivo do crime pode ter ligação com um suposto desvio de R$ 3,7 milhões da empresa, entre 2000 e 2004. O ex-contador da Cipasa, declarou que a diferença foi um erro técnico-contábil.

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