A promotora especial do Meio Ambiente, Maria Lúcia Ferreira Reichenbach, solicitou ontem novas análises laboratoriais sobre a qualidade da água de ribeirões e córregos da Cidade. Inquérito aberto na última semana investiga a Sanepar como principal fonte poluidora dos cursos de água em Londrina.
Os novos exames serão realizados por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) nos próximos dias. Segundo Maria Lúcia Reichenbach, também serão estudados o contrato para exploração de abastecimento de água e tratamento de esgoto e os últimos balanços financeiros da companhia de saneamento. ‘‘É preciso ficar claro para onde vai o dinheiro que o contribuinte paga relativo à taxa de tratamento de esgoto, que é de 80% sobre o valor do consumo de água.’’
Maria Lúcia Reichenbach se diz preocupada com os resultados das análises anteriormente realizadas pelo IAP, que demonstraram uma poluição por coliformes fecais - nas proximidades das estações de tratamento da Sanepar - muito superior ao nível admitido pelos critérios nacionais e internacionais de preservação do meio ambiente. ‘‘Os coliformes podem transmitir hepatite, cólera, esquistossomose e outras doenças graves. Precisamos de uma solução imediata.’’
O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, explica que a empresa não faz tratamento para a eliminação dos coliformes fecais nas estações de esgoto. ‘‘Tratamos apenas outras fontes poluidoras mais importantes, que são as ligadas aos produtos químico-industriais e à oxigenação da água. O tratamento dos coliformes teria que ser feito com produtos químicos de desinfecção, que lá na frente degradariam mais o meio ambiente. Isso não é a solução, por isto a Sanepar não faz.’’
De acordo com ele, os coliformes fecais humanos somem naturalmente da água dos rios ao longo de alguns quilômetros. ‘‘Não sei por que a promotora resolveu pegar no nosso pé, quando há muitas outras fontes de poluição na Cidade. Ela deve pensar que estamos faturando muito e enchendo o bolso com o dinheiro dos londrinenses. Não é bem assim. Todas as nossas obras são financiadas, e temos que pagar este financiamento na sequência.’’
Sem citar os valores arrecadados e reinvestidos pela Sanepar na Cidade, Kishima diz que os balancetes da companhia são publicados anualmente e estão à disposição em Curitiba. Ele ressalta que a capacidade e qualidade do tratamento de esgotos em Londrina será melhor dentro de aproximadamente dois anos, quando estiverem concluídas as obras de ampliação e readequação das estações. Atualmente estão em operação 11 estações. Quando as obras - orçadas em R$ 10 milhões e ainda não licitadas - forem realizadas, continuarão funcionando apenas quatro grandes estações.

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