Promotora ouve seguranças e os sem-terra envolvidos no conflito
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Londrina 
A Promotora de Justiça de Ribeirão do Pinhal, Fábia Teixeira Fritegotto (foto), ouviu até as primeiras horas de ontem os depoimentos de dois sem-terra, dos seguranças e do fazendeiro Haroldo Sweitzer. Ela não quis comentar o conteúdo dos depoimentos.
Fábia confirmou que o proprietário da fazenda invadida, Luiz Augusto Granemann, protocolou pedido de reintegração de posse na sexta-feira, após as 16h30. Esse pedido será analisado em uma audiência que deve acontecer até sexta-feira. Mas isso não quer dizer que a Justiça concederá a liminar de imediato, comentou.
Mesmo com os indícios de que houve cárcere privado e espancamento na fazenda, a polícia não realizou nenhuma prisão em flagrante, provavelmente fruto de negociação com os sem-terra. No entanto, a promotora não quis comentar o assunto. Para ela, todas as pessoas que compareceram à delegacia para prestar depoimento foram convidadas pelos policiais e foram de livre e expontânea vontade.
Durante os depoimentos, um dos sem-terra entregou um revólver usado no conflito, mas Fábia mais uma vez não quis entrar em detalhes. Vamos apurar os fatos. A partir de amanhã (hoje) iremos ouvir outras pessoas. Também estou comunicando a Procuradoria de Justiça sobre os fatos e pedindo que designe um delegado de carreira para conduzir o inquérito, disse. Atualmente quem responde pela delegacia é o agente de segurança Adir Rosa.
Para a promotora, este conflito a pegou de surpresa. Fábia garante que os sem-terra estão acampados na área da comarca há quase um ano e já ocuparam e saíram de duas fazenda pacificamente. Desta vez a invasão fugiu da normalidade e nos pegou de surpresa, declarou. (Alexandre Sanches)


