Promotora faz bitz em hospitais
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quarta-feira, 27 de junho de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
A promotora de Justiça Rosana Araújo de Sá Ribeiro Pereira flagrou anteontem à noite o hospital Policlínica São Marcos, de Campo Mourão, funcionando sem médico de plantão no local. O flagrante aconteceu por volta das 21h30, quando uma reunião do Conselho Municipal de Saúde discutia denúncias de plantões à distância em hospitais da cidade.
Convidada a participar da reunião, a promotora resolveu conferir na hora a existência ou não de médicos plantonistas nos estabelecimentos de Campo Mourão. Junto com um membro do conselho, ela percorreu três hospitais. Na maternidade Santa Casa, o médico de plantão estava fazendo um parto. Na Central Hospitalar, o único plantonista estava na UTI.
Na Policlínica São Marcos, a informação repassada à promotora foi de que o médico só seria chamado caso chegasse ao hospital um paciente passando mal. A atendente disse que as próprias enfermeiras avaliariam a necessidade de se chamar o médico. Há muitas reclamações nesse sentido, disse ontem a presidente do Conselho Municipal de Saúde, Nivalda Roy.
O diretor da Policlínica, Napoleon Saavedra, disse que o estabelecimento não tem médico plantonista 24 horas porque não é pronto-socorro. Nós teríamos satisfação em manter médicos 24 horas, mas isso é inviável, explicou. Segundo ele, as autoridades têm que ser um pouco mais sensíveis, caso contrário alguns hospitais terão que fechar as portas.
Não temos recursos para pagar o custo operacional de um plantão diário, ressaltou Saavedra. Para ele, a obrigação de se manter um médico de plantão é do município, o que já ocorre no posto de saúde 24 horas. A população tem que se conscientizar que existe um local para o atendimento de urgência e emergência, disse.
O médico Sérgio Rebeis, do Conselho Regional de Medicina em Campo Mourão, participou da reunião e disse que o sistema de médico sobre aviso, quando o profissional fica em casa à espera do chamado do hospital, é um comum mesmo nos grandes centros.
Rosana afirmou ontem que vai instaurar um procedimento para verificar a legalidade dos plantões à distância. Para ser plantão é preciso haver a presença física do médico no hospital, disse. Ela lembrou que, oficialmente, todo hospital tem um médico de plantão.


