A promotora de Justiça Mônica Lievore fixou prazo de 60 dias para que o governo do Estado providencie a ampliação e reforma da cadeia de Sarandi (7 quilômetros de Maringá). Se as obras não forem realizadas, ela promete pedir a interdição do prédio. Com capacidade para 16 detentos, a cadeia abriga hoje 36 presos. Destes, 10 já foram condenados pela Justiça e deveriam estar aguardando revisão da sentença em presídios. O problema é ainda mais grave porque entre os presos está uma mulher que ocupa cela individual.
‘‘A superlotação da cadeia de Sarandi é uma novela’’, afirma o delegado José Aparecido Jacovós. Ele explica que a situação foi pior quando a cadeia chegou a abrigar 56 detentos. Mesmo com 20 presos a menos, a média está muito acima da capacidade do prédio, permitindo que cada detento ocupe um espaço de apenas 66 centímetros quadrados. A média mínima de ocupação por preso em cadeias é de seis metros quadrados, segundo a lei.
Na última quarta-feira, o secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, afirmou que o governo do Estado pretende iniciar em breve a ampliação e reforma das delegacias e presídios do Paraná. A afirmação foi feita durante entrega de viaturas para a Polícia Militar e Civil de Maringá.
Oliveira assegurou que a ampliação da cadeia de Sarandi deve ocorrer ainda este ano. Segundo o secretário, a cadeia de Sarandi vai ganhar mais oito celas. Jacovós afirma que o projeto existe há dois anos, mas que até agora nada foi feito por falta de recursos para o início da obra. ‘‘Vamos aguardar para que este projeto realmente saia do papel’’.
Para amenizar a situação dos presos, a cadeia adotou um sistema de rodízio. ‘‘Mantemos uma parte dos detentos no solário e outro grupo no corredor para evitar que todos fiquem aglomerados nas quatro celas’’, diz.
Segundo o delegado, o minipresídio de Maringá não resolveu o problema de superlotação da cadeia de Sarandi. ‘‘Não conseguimos transferir os presos condenados para Maringá porque agora Sarandi já é comarca e não há vagas para os detentos no minipresídio. O presídio do Ahu, em Curitiba, também está superlotado e não está aceitando a remoção dos presos de Sarandi.’’

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