O impasse entre as 82 famílias de moradores do loteamento Jardim Cristal (zona sul de Londrina), a Companhia de Habitação (Cohab) e a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente começou a chegar ao fim durante uma reunião realizada na manhã de ontem, no Fórum. Esta é a opinião do vereador Célio Guergoletto (PMDB), ex-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara e que, desde o ano passado, intermedia uma solução para o caso.
A promotora Maria Lúcia Reichenbach, que convocou e coordenou a reunião, confirma que o problema pode estar perto do fim desde que a Cohab apresente um projeto de urbanização da área e de construção de moradias que seja aprovado posteriormente por laudo dos técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). ‘‘Os estudos da Cohab e da loteadora devem ser submetidos à apreciação e aprovados pelo IAP . Quando isto estiver pronto, faremos uma nova reunião e a questão estará resolvida.’’
O problema começou porque a área negociada para o assentamento das 82 famílias, pela Loteadora Tupy - cujo representante participou também da reunião de ontem - está ligada ao fundo de vale do córrego Cristal, onde outras 12 famílias moram ilegalmente há mais de 20 anos. ‘‘Uma rua de acesso ao loteamento invade a área de preservação ambiental permanente, que é bem público e garantia de qualidade de vida para toda a população. Isto tem que ser resolvido da melhor maneira possível’’, comenta a promotora.
Ela afirma ainda que o poder público deve buscar na Justiça a reintegração de posse da área invadida no fundo de vale do Cristal. ‘‘Não concordamos em hipótese alguma com este tipo de ocupação ilegal. As famílias que lá estão devem ser levadas para outro assentamento da Cohab’’, ressalta a promotora.
Segundo Guergoletto, o presidente da Cohab, Assad Janani, que participou da reunião no Fórum, garantiu que os técnicos trabalharão no projeto proposto nos próximos dias. ‘‘A intenção de todos é resolver logo a questão, para que aquelas famílias possam construir suas casas no loteamento. Talvez, para isto, os lotes de 250 metros quadrados tenham que sofrer uma pequena redução no tamanho. Assim, atenderemos aos moradores e a também às exigências legais.’
Sem o laudo do IAP e a liberação da promotoria, a prefeitura não irá aprovar a regularização do loteamento. Enquanto isso, as famílias sofrem com a falta de energia elétrica, água encanada e outras benfeitorias. As 82 famílias foram levadas para o loteamento em 97, depois de serem expulsas pela Polícia - em cumprimento a ordem judicial - das casas de fibrocimento do projeto-piloto da Cohab com a construtora Grande Piso, de Guarapuava, no Conjunto Ilda Mandarino (zona norte).

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