A criação do Programa Saiba - Programa de Encaminhamento, Atenção e Cuidados aos Usuários de Drogas em Conflito com a Lei - rendeu à promotora de Justiça Luciana Lepri e mais 150 funcionários públicos, pertencentes ao sistema penitenciário do Estado, reconhecimento do Ministério da Justiça. Eles receberam o diploma ''Mérito pela Valorização da Vida'.
O trabalho foi indicado à premiação pelo Conselho Estadual Antidrogas (Conead) por levar o usuário de drogas em conflito com a lei à reflexão sobre as consequências físicas, psicológicas, emocionais, sociais, pessoais e jurídicas decorrentes do uso e abuso de drogas.
''Nosso objetivo é resgatar a autoestima de usuários processados pelo uso de drogas, que estão em liberdade ou presos em uma das unidades penais de Londrina'', explica Luciana. Na prática, os usuários presos reincidentes participam de curso com 20 módulos e 10 meses de duração. Já os usuários de drogas presos e não reincidentes participam do curso por cinco meses. Os usuários, que estão sendo processados, mas respondem em liberdade, participam de seis encontros, realizados duas vezes por semana. O curso é ministrado por uma equipe multidisciplinar.
''Estamos felizes com esta premiação, pois ela representa o reconhecimento de um esforço conjunto da equipe, comprovando que mais pode aquele que quer realizar algo, do que aquele que tem só vontade'', diz a promotora.
Ela enfatiza que o desenvolvimento do programa começou em 2007, a partir da necessidade de dar cumprimento à nova legislação antidrogas, que entrou em vigor em 2006 (Lei 11.343).
Luciana esclarece que antes da nova lei a pena para o uso de drogas era a prisão, uma vez que o usuário era visto como criminoso (política baseada no modelo norte-americano de repressão). Com a nova lei, o País passou a adotar o modelo europeu de controle do uso de drogas, baseado na redução de danos.
''A grande mudança é que o legislador deixou de ver e entender o usuário de drogas como um criminoso, passando a vê-lo como um doente'', explica.

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