O delegado Eduardo Mady Barbosa, assumiu a delegacia de Guaíra em julho e disse que ainda não conseguiu se inteirar do caso porque está sozinho e tem mais de 500 inquéritos para encaminhar. O escrivão responsável pelo inquérito que apura a morte do ex-balseiro está de licença. Barbosa sabe apenas que o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público solicitando mais prazo para conclusão.
A promotora Suzana Bróglia de Feitosa assumiu a Comarca de Guaíra há duas semanas. Ela informou que não foi procurada pela família Pês, não tinha conhecimento das ameaças, nem do teor dos depoimentos, acompanhados por um promotor substituto. ''Vamos apurar a situação e tentar incluir estas pessoas no programa de proteção a testemunhas'', adiantou a promotora.
O duplo assassinato em Guaíra teve grande repercussão porque envolveu uma das famílias mais ricas do Paraná e o milionário negócio de transporte e mineração fluvial. Dono da Mineradora Floresta, Quinto disputava com Milton Andreis, dono da empresa F.Andreis, o direito de explorar a travessia do Rio Paraná por balsa entre Guaíra e Mundo Novo (MS). O negócio acabou com a inauguração da ponte Airton Senna, em 1998. Hoje, a F. Andreis administra o pedágio da ponte.
Milton Andreis mudou-se para Curitiba. O advogado dele, Vagner Pacheco, de Umuarama, disse que os novos depoimentos não comprometem seu cliente. ''As testemunhas não citam o nome do Milton, que sempre negou qualquer tipo de envolvimento neste crime, teve suas contas telefônicas e bancárias vasculhadas e nenhuma prova foi levantada contra ele'', disse Vagner. Silveira vive no Paraguai. Seu advogado, Ronaldo Botelho, de Curitiba, não quis comentar as acusações.

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