Promotora diz que clima era tenso
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula, afirmou que no início da semana passada já previa que alguma confusão poderia ocorrer dentro do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). ''Imaginávamos que poderia ser uma rebelião, pois alguém estava bombardeando o local quase todos os dias'', relatou a promotora. No início da noite do último sábado, Diego Henrique Marra Sales, de 15 anos, foi asfixiado dentro da própria cela.
Revendo o caso do adolescente, a promotora apontou várias ações que poderiam ter sido tomadas antes da morte de Diego. ''Em 20 de junho de 2003 eu pedi o internamento judicial dele em uma instituição para drogados. O pedido foi enviado a Autarquia Municipal de Saúde que recorreu ao Tribunal de Justiça para não atendê-lo'', informou Édina. Ela lamentou que hoje se alguém comunicar a promotoria que um jovem está pedindo esmola para comprar drogas ela não tem como providenciar a internação dele.
''Se o adolescente não tiver cometido algum ato infracional, o Iasp (Instituto de Ação Social do Paraná) não interna'', indignou-se a promotora. Édina falou que para conseguir o internação de dois adolescentes de uma casa abrigo da cidade pelo Instituto, foi necessário esperar 50 dias. ''Essa dogradição de adolescentes é algo recente. E as nossas leis estão sempre correndo atrás do prejuízo'', argumentou a promotora, que acredita que a política de atendimento aos viciados deve ser revista.
Quanto à prisão de Diego, Édina declarou que o garoto cometeu um ato infracional. ''Não foi muito grave, mas ele era reincidente e precisava sair das ruas'', justificou. A promotora esperava que com o recolhimento do adolescente ao Ciaadi, o encaminhamento para uma internação seria mais rápido. Ela também enfatizou que o problema da superlotação da instituição é um agravante para a segurança. ''Como apenas dois educadores vigiam 56
internos?.''
Édina preferiu não responsabilizar ninguém de imediato, a não ser os companheiros de cela do garoto. ''Se pensarmos onde o problema começou, devemos culpar a família, a sociedade, o Estado e da Secretaria de Saúde por não tê-lo atendido da forma correta e a mim mesma por apreender o Diego'', argumentou. A promotora garantiu que tentou entrar em contato com a família do garoto várias vezes, mas que não viu interesse dos parentes em ajudá-lo. (C.R.)





