O delegado do 1º Distrito Policial, David Passerino, informou ontem que a empresária Rosângela de Oliveira, que promove festas de formaturas em Londrina e região, foi indiciada pelo crime de estelionato. A denúncia partiu de dois estudantes e a suspeita é de que ela recebeu recursos de comissões de formatura para contratar fornecedores mas não fez os pagamentos.
Conforme outra denúncia feita ao Procon, a empresária, que está desaparecida, teria depositado cheques na conta de terceiros em vez de fazer o pagamento. Estima-se que a empresa tenha firmado contrato com cerca de 80 turmas e o calote pode ultrapassar R$ 1 milhão. Ela também tem dívidas com fornecedores.
Segundo o delegado, uma intimação foi expedida para que Rosângela compareça à Delegacia nos próximos dias para prestar esclarecimentos. Ele observou, por outro lado, que os indícios de estelionato são fortes. ''A empresária fechou as portas de seu escritório e deixou de dar a assessoria e prestar os serviços que estava realizando'', comentou Passerino. A empresa de Rosângela, a Alon Representação Comercial e Promoções Artísticas - cujo nome fantasia é Art Show Promoções , já sofreu três ações desde 2004 no Juizado Especial Cível, mas apenas uma tem relação com possível descumprimento contratual.
O coordenador do Procon em Londrina, Gérson da Silva, também recebeu denúncia de um estudante de Psicologia da Centro Universitário Filadélfia (Unifil) que declarou ter entregue quase R$ 34 mil para a empresária pagar fornecedores mas isso não teria sido feito. ''Os cheques nominais foram compensados mas os fornecedores não foram pagos. Os cheques foram depositados na conta de terceiros'', afirmou Silva. Para o Procon, o banco poderia ser responsabilizado neste caso porque pagou os cheques sem conferir o endosso. ''É perigoso até as comissões de formatura serem co-responsabilizadas porque não administraram bem o dinheiro dos colegas'', analisou.
Sem se identificar, uma estudante do terceiro ano de Direito da Universidade Estadual de Londrina (UEL) afirmou que Rosângela teria sido contratada por cerca de 80 turmas de estudantes. Ela disse que sua turma já havia pago R$ 1,3 mil para a empresária. Os valores das turmas de estudantes que se formam este ano chegam até a R$ 133 mil. Estima-se que o calote deve ultrapassar R$ 1 milhão.
Uma empresária do setor que prestou serviços para Rosângela reclamou que tem mais de R$ 18 mil a receber. Assim como ela, bandas, buffets, floriculturas e decoradores também não teriam sido pagos. Ela disse que a empresária começou a trabalhar com formaturas em 2002 mas tinha larga experiência empresariando bandas.
Outro empresário de Maringá apontou que calotes semelhantes ocorreram em São Paulo e Minas Gerais. ''Formando é um cliente ingênuo e fácil de ser enganado. Na verdade, poucas empresas hoje têm a estrutura necessária para cumprir o prometido. Eu mesmo perdi negócios por causa das propostas de empresas que sequer tem um lugarzinho para se encostar'', concluiu.
A Folha voltou a procurar a empresária mas novamente ela não foi encontrada. Desaparecida há mais de 20 dias, os comentários são que de Rosângela estaria numa cidade do interior de São Paulo.

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