Promotora da Infância diz que vai investigar ameaças anônimas
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terça-feira, 08 de abril de 1997
Da Redação 
A promotora da Infância e Juventude, Solange Novaes Vicentin, pretende investigar a origem dos telefonemas anônimos recebidos pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Londrina. Pelo telefone, pessoas têm ameaçado exterminar meninos de rua na Cidade. Anteontem o Conselho Tutelar protocolou denúncia sobre o caso no cartório da Vara da Infância e Juventude. Os telefonemas, segundo o presidente do Conselho, Júlio Botelho, começaram há cerca de 30 dias e se concentraram na semana passada. Sempre com voz masculina, os anônimos pedem soluções para o aumento de crianças e adolescentes nas ruas.
Solange acredita que as ameaças feitas ao Conselho Tutelar não passem de pressão para que se retire os meninos das ruas. Não acredito que existam pessoas pensando realmente em extermínio desses adolescentes. Espero que seja só para pressionar, afirma. Mas ameaça é crime, algo muito mais grave do que os adolescentes nas ruas. Precisamos descobrir quem está fazendo isso.
Mesmo não acreditando em morte dos menores, a promotora prefere não esperar para ver as consequências. Ainda essa semana, ela deve se reunir com a secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, e outras autoridades envolvidas com crianças e adolescentes na Cidade para estabelecer um plano de trabalho urgente.
Considerando que a maioria dos menores, segundo a promotora, perdeu os vínculos familiares, a saída é viabilizar no mínimo outras quatro casas-abrigo para recolhê-los. Atualmente funcionam duas casas-abrigo com 10 menores cada. Uma terceira casa deve ser ativada em breve, com capacidade para abrigar outras 15 crianças e adolescentes. Solange afirma que, desligados da família, esses adolescentes precisam de um trabalho gradativo para não que retornem às ruas - isso incluiu escola e emprego.
O maior problema hoje é falta de vagas para encaminhar esses adolescentes, diz. Estamos empenhados para resolver o problema, mas a sociedade tem que abrir as portas para receber os jovens. A grande dificuldade, segundo Solange, além da falta de recursos e pessoal, é o preconceito da comunidade. Segundo ela, muitas imobiliárias se recusam a alugar imóveis para esse fim e moradores nunca querem uma casa-abrigo no seu bairro.
Ontem a secretária de Ação Social esteve reunida com a equipe que trabalha nos projetos sociais voltados ao adolescente para descobrir onde está o erro. Uma das falhas, de acordo com a equipe que está junto há mais de três anos, foi o abandono do envolvimento da família nos programas. Os adolescentes voltavam para famílias desestruturadas e acabavam de novo nas ruas, diz Marisa. A retomada do trabalho com as famílias deve ser feito através de grupos voluntários, muitos deles ligados a igrejas, que têm oferecido ajuda à Secretaria. Outra questão são os processos abertos no ano passado contra mais de 70 famílias que incentivavam os filhos para que eles fossem às ruas. A intenção, segundo Marisa, é retomar esses processos e saber como está o cumprimento das decisões tomadas pelo Ministério Púbico.


