A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria Silva de Paula, acredita que o envolvimento intenso de menores no tráfico de drogas - que, por sua vez, é responsável pela grande maioria dos homicídios em Londrina - é resultado de uma crise de valores.
''Criou-se uma cultura de que a culpa (pela participação de adolescentes em assassinatos) é do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de que o problema é que tem gente que fica passando a mão na cabeça do jovem infrator'', argumenta. ''Mas quando um adolescente pratica um crime, alguém procura conhecer a história da vida dele? De onde ele veio, como foi criado? Existe uma grande omissão da sociedade''.
Susana Broglia Feitosa de Lacerda, promotora da 1 Vara Criminal, aponta que a apuração de homicídios encontra obstáculos na falta de estrutura das polícias e de um sistema de cruzamento de dados sobre crimes. Em alguns casos, a investigação emperra devido à ausência de testemunhas, que temem represálias.
''Penso que a imprensa poderia ajudar mais, ao divulgar os resultados dos julgamentos em Londrina. Desde maio, foram 28 condenações por homicídio em 32 júris na comarca. A veiculação dos julgamentos na mídia serviria para mostrar que não é verdadeira a alegação de que todo mundo que pratica um crime fica impune'', diz a promotora.

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