A Promotora do Meio Ambiente de Ibiporã, Révia Aparecida Peixoto de Paula Lima, informou ontem que o estudo sobre o impacto ambiental (EIA/Rima) realizado pela Momento Engenharia Ambiental, empresa de Blumenau, está passando por análise do Ministério Público em Curitiba. A empresa comprou um terreno na região do Limoeiro - divisa entre Londrina e Ibiporã (14 km a leste de Londrina) - e pretende instalar no local um aterro sanitário para tratar de lixo sólido e também resíduos especiais, como baterias e lâmpadas fluorescentes.
Segundo o promotor Santclair Clair Santos, de Curitiba, o estudo foi encaminhado ontem para a promotora de Ibiporã já com a análise sobre a empresa. ''Acredito que amanhã (hoje) ela tenha uma posição sobre o assunto'', afirmou. A possível instalação do aterro na região desagrada moradores do local. Um abaixo-assinado já foi encaminhado para vários órgãos da prefeitura de Londrina e Ibiporã, e também para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, tentando impedir a instalação do aterro pela Momento Engenharia Ambiental.
Maria Dulcelene Superbe tem um pesque-pague bem próximo ao terreno comprado pela empresa catarinense e está receosa. ''Vai prejudicar toda a natureza da região'', destacou. Ela está há apenas um mês no local e demonstra preocupação com a possibilidade de ter que sair dali. ''Vou perder toda a clientela se o aterro for instalado'', previu. A saúde também assusta e Maria Dulcelene citou até do medo de ter um câncer. ''Vamos batalhar para que não seja instalado nada no local'', afirmou.
Os donos e empregados de granjas do Limoeiro também estão tentando impedir a vinda do aterro sanitário. Jair Bento, que trabalha na Chácara Nossa Senhora de Fátima há oito anos, está entre eles.
''Se for química é meio perigoso'', declarou. José Azevedo Pierolti cria 35 mil frangos na Chácara Nossa Senhora Aparecida e está preocupado. ''Virá todo tipo de lixo. E não é só isso, tem nossos filhos, netos, isso pode prejudicar lá na frente'', observou. A propriedade é cortada por um lençol de água e Pierolti teme que os produtos químicos tratados no aterro afetem a qualidade da água.
O preço dos terrenos é outro motivo de desagrado. ''Hoje um alqueire aqui chega a R$ 70 mil para sítios pequenos e entre R$ 30 mil e R$ 40 mil para os maiores. Se o aterro vier para cá, vai ficar tudo a preço de Incra, cerca de R$ 5 mil, R$ 6 mil o alqueire'', avaliou.