Paulo WolfgangColiformesEstação da Sanepar: fonte poluidora, segundo a promotoriaA promotora especial do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Reichenbach, decidiu ontem abrir inquérito para investigar os indícios de que as estações de tratamento de esgotos da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) são a principal fonte poluidora de vários ribeirões e córregos da Cidade.
O inquérito será aberto com base em recentes análises da qualidade das águas próximas às estações da Sanepar, realizadas por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) por solicitação da promotora. Nesses locais, ficou demonstrado que o nível de poluição das águas por coliformes fecais é muito superior ao admitido pelos critérios nacionais e internacionais.
O aconselhável pelas normas de defesa do meio ambiente, nos casos de pequenos riachos e ribeirões, é que a incidência de coliformes não ultrapasse o número de mil em 100 ml de água. Os resultados das análises do IAP encaminhados à Promotoria encontraram números que vão de 22 mil a 900 milhões de coliformes por 100 ml de água, nos ribeirões Saltinho, São Lourenço, Lindóia e Cambezinho. Este forma, no centro da Cidade, o lago Igapó.
‘‘Estou horrorizada com os resultados. A Sanepar está transformando nossos rios em fossas. A situação é muito feia, está ficando insuportável. Por isso, temos que tomar providências’’, afirma Maria Reichenbach. ‘‘O inquérito será aberto até o final desta semana. Depois, vamos propor uma ação civil contra a Sanepar, responsabilizando-a e pedindo providências para que o problema seja resolvido.’’
A promotora adianta que a ação pode resultar na suspensão temporária da cobrança da taxa de tratamento de esgoto - 80% sobre o valor do consumo de água - pela Sanepar. ‘‘Para que cobrar esta taxa, se o serviço de tratamento não está sendo realizado a contento? Para onde está indo o dinheiro da população, dos consumidores?’’ Ela está solicitando novos exames laboratoriais ao IAP e pretende solicitar documentos e ouvir técnicos e diretores da Sanepar nos próximos dias. O gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, não deu retorno às ligações telefônicas da Folha na tarde de ontem.

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