Servidores das Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Londrina deverão receber nos próximos dias a visita do promotor de Defesa da Saúde Pública, Paulo Tavares. Ele vai verificar se as escalas com os horários de trabalho dos médicos estão afixadas em locais visíveis como prevê legislação municipal e se estão sendo cumpridas. As UBSs, segundo o promotor, poderiam ajudar a minimizar a superlotação nos Prontos-Socorros dos hospitais se as escalas fossem respeitadas e se a população tivesse a cultura de se dirigir, primeiro, aos postos de bairros. Amanhã à tarde, Tavares participa de audiência pública na Câmara Municipal para discutir o problema da superlotação.
A visita às UBSs será feita em razão das denúncias de que médicos não estariam cumprindo integralmente suas cargas horárias. O secretário municipal de Saúde, Silvio Fernandes, declarou que as UBSs - das 52 existentes - que não dispunham de quadro de horários foram orientadas a se enquadrarem. Ele observou que ''o município está investindo naquilo que é sua competência'' para ajudar a combater a superlotação nos hospitais.
Mesmo ressaltando a importância dos postos primários de atendimento para o bom funcionamento do sistema de saúde, Tavares reafirmou que a superlotação é decorrente, em grande parte, da falta de investimentos tanto em estrutura física quanto em pessoal. Em setembro de 2003 ele instaurou procedimento administrativo para apurar a situação de superlotação e precariedade no atendimento prestado no PS do Hospital Universitário (HU).
Em maio deste ano, enviou oficio à Secretaria Estadual de Saúde pedindo informações sobre as medidas adotadas no curto prazo e apontando que até abril deste ano o PS do HU tinha restringido o atendimento nada menos que 285 vezes. Sem êxito, ele reiterou o pedido em 4 de junho mas ainda não obteve resposta. ''No HU, nem reposição de funcionários existe'', criticou, avisando que poderá ingressar com ação contra o Estado se não forem tomadas medidas urgentes.
O superintendente do HU, Francisco Eugênio Alves de Souza, afirmou que a superlotação decorre de inúmeros fatores, que vão desde a falta de investimento e de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) até mudanças no perfil da população. Ele revelou que foi assinado um convênio entre as secretaria estadual de Obras Públicas e de Saúde e a Universidade Estadual de Londrina (UEL) para execução dos projetos arquitetônicos e complementares para reforma e adequação do PS do HU. A obra não tem data para começar.
A Folha procurou a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde mas ninguém retornou à solicitação de entrevista até o fechamento desta edição.

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