O Ministério Público vai enviar à 6ª Vara Criminal - provavelmente no início da próxima semana - o pedido de prisão preventiva de Maurício Fowler, delegado-adjunto do 12º Distrito Policial de Curitiba na época em que o estudante Rafael Rodrigo Zanella, de 20 anos, foi morto numa abordagem policial, no bairro Santa Felicidade, em maio de 97. Segundo o advogado Júlio Góes Militão da Silva, que atua como assistente de acusação no julgamento do investigador da Polícia Civil Reinaldo Siduovski, iniciado ontem na capital, o pedido será fundamentado no depoimento do réu, que afirmou ter sido procurado e pressionado por Fowler a mentir em suas declarações.
Siduovski é o segundo dos nove acusados de envolvimento na morte do estudante a ser julgado. O primeiro foi o policial Airton Adonsk Júnior, condenado a 38 anos de reclusão, no início do mês passado. Os policiais são acusados também de colocar maconha junto ao corpo de Zanella, para fazer crer que se tratava de um traficante que resistiu à ordem de prisão. Rafael Zanella foi morto com um tiro na cabeça.
O primeiro dia do julgamento de Siduovski foi marcado por acusações contra Fowler. O réu afirmou que o delegado foi o mentor da farsa montada para acobertar a morte de Zanella e fugir das responsabilidades. No primeiro julgamento do caso, Fowler já havia sido apontado como o responsável pela farsa.
Siduovski responde pelos crimes de tortura psicológica, denúncia caluniosa, homicídio qualificado e obstrução da Justiça. O investigador chegou a afirmar ter recebido a ordem de Fowler para que colocasse uma arma com o número de registro adulterado sobre o corpo de Zanella. ‘‘Cheguei a alertar o delegado de que a perícia iria desmascarar toda a farsa, quando ele me ameaçou’’, disse.
O réu afirmou ter presenciado o informante da polícia Almiro Deni Schimidt - apontado como o autor do disparo que matou Zanella - acertar um tiro na viatura policial em que estavam. Isto teria acontecido para forjar uma troca de tiros entre os policiais e o carro em que o estudante e os amigos estavam. Siduovski disse ter questionado o informante Schimidt sobre o tiro, quando este disse estar atendendo ordens do delegado-adjunto.
Este depoimento fez o juiz Luiz Zarpellon questionar o porque do delegado-adjunto estar respondendo o processo em liberdade, enquanto outros quatro réus estão presos. Zarpellon foi informado que Fowler chegou a ter a prisão preventiva decretada, mas conseguiu um habeas corpus concedido pelo desembargador e presidente do Tribunal de Justiça Henrique Lenz Cesar.
Secretário - O ex-secretário de Segurança Pública Cândido Martins de Oliveira foi convocado mas não compareceu para testemunhar em defesa de Siduovski. Oliveira deixou a Casa Civil em 10 de agosto passado e a sua inclusão entre as cinco testemunhas de defesa deixou os familiares de Zanella preocupados.
Com a não apresentação de Oliveira, o julgamento de Siduovski vai contar com os depoimentos de quatro testemunhas de defesa e cinco de acusação, que devem começar a ser ouvidas no início da manhã de hoje. A previsão é de que o julgamento termine até a madrugada de amanhã.
Ainda vão ser julgados, em datas não determinadas, o informante da polícia Almiro Deni Schimidt e o policial Jorge Élcio Bressan. São acusados, ainda, de participar da farsa os delegados Francisco José da Costa e Maurício Fowler, o escrivão Carlos Henrique Dias e o superintendente Daniel Santiago Cortez.

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